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  1. 09/07/2007

    De prima


    Quem tem dó de Dodô?
    Uma coisa parece fora de questão: Dodô não faz o tipo guerreiro. Ao contrário do trombador que esbanja energia, ele pertence, justamente, àquela nobreza do futebol que dispensa a força física pra impor sua categoria, no corpo-a-corpo da grande área. Dodô é um clássico. Tudo leva a crer que, nessa história do doping, ele tenha sido mais vítima que vilão.
    Inocentá-lo, de todo, porém, talvez não seja nada fácil. Se a urina dele acusa uma substância proibida, a primeira conclusão é que Dodô procedeu com rara imprudência. Me lembro do caso de Athirson, que, também, caiu na malha fina do anti-doping, em circunstâncias parecidas. Athirson, querendo emagrecer, acabou tomando uma droga da lista negra dos remédios dopantes.
    É verdade que o processo de Athirson teve um final feliz. Ele foi absolvido, certamente, pela presunção de boa fé. Sucede que o momento de um nada tem a ver com o momento do outro. O Flamengo de Athirson navegava em águas tranqüilas.
    Dodô é o jogador símbolo de um time que está no olho do furacão. O craque não podia ter dado a cara a tapa.
    Guerra é guerra.

    A estrela Vênus
    Roger Federer voltou a fazer história em Wimbledon? Sem dúvida alguma. Mas, não há como ignorar o tênis da fábula que voltou a jogar em Londres a norte-americana Vênus Williams, mais uma vez campeã na grama de Wimbledon. A moça jogou sete partidas, todas no mais alto nível de excelência.
    O traje branco do ritual britânico vestia lindamente o negro reluzente de seu perfil longilineo, delgado.
    Wimbledon reverencia o entardecer da estrela Vênus.



    O bem-me-quer do futebol
    Quem vence a Copa América? O futebol nunca deixou de ser um jogo de impermanencias. De repente, espera-se o óbvio e sobrevém o insólito. Pra mim, o campeão dos meus sonhos há de ser, não o time que venceu por vencer, mas o que melhor jogou.
    Até agora, quem mais me encantou, como equipe, foi a Argentina, ouro branco, com Messi, Tevez, Veron e, principalmente Riquelme, o bem-me-quer do futebol-arte.



    O basquete a vida
    Vejo no Sportv uma bela chamada sobre basquetebol. Relembra o título Pan-americano que o Brasil conquistou em Winnipeg e Santo Domingo. Tomara que o Brasil chegue, agora, ao tri do Pan. Adoro basquete, esporte sobre o qual, uma dia, me ocorreu a seguinte pensata: “basquete é um exemplo de como bem lidar com essa impiedosa substância chamada tempo. E uma das raras manifestações de vida em que menos se sente a celeridade do tempo. Uma lição que o futebol não quis aprender. O futebol é um refinado perdulário. Esperdiça tempo como o estróina esperdiça dinheiro. No basquete, um minuto dura uma eternidade. Por quê? Porque se a bola pára, pára também o cronômetro. Bendita angústia do não-tempo. Feita a cesta, o cronômetro só recomeça a andar quando a bola chega às mãos do segundo jogador.
    Bem que a vida podia imitar o basquete. Só valeria o tempo intensamente vivido. Na ação ou na contemplação. O tempo consumido no sono e na melancolia não devia ser contado. Eu estaria, hoje, na flor da idade...”

  2. 07/07/2007

    Flagrantes do futebol


    Marcação por zona

    Já que anda em debate o tema da organização defensiva no futebol brasileiro, uns pelo líbero, outros contra, vamos a um rápido depoimento do velho árbitro pernambucano, Sherlock, contando de um time de lá em que metade da defesa marcava cerrado, homem a homem, metade marcava por zona.
    É que os dois beques da direita, os crioulos Ananias e Peroba, descobriram uma chave para evitar que qualquer atacante rival ousasse correr pelo seu setor:
    – A chave deles era simples – conta Sherlock – os dois passavam três dias sem tomar banho. O bodum mortal espantava do corpo-a-corpo todos os adversários.


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    Ao pé da mangueira

    No interior do Ceará, jogo de campeonato, entre o time do Morada Nova e o Russas. No primeiro tempo, o Morada Nova já apanhava de 8 a 0. O presidente do Morada Nova, Zequinha Navarro, foi ao encontro do time que desfrutava o intervalo, tomando gengibirra à sombra de uma mangueira.
    – Que peste de quíper é o nosso que já deixou entrar oito bolas só no primeira tempo?
    – Também, seu Zequinha – disse com voz chorosa o goleiro Chicolão –, vem bola diariamente...

  3. 05/07/2007

    Futebol de meia tigela


    A teoria não é minha, mas, merece o meu endosso. A seleção de Dunga inspira-se, essencialmente, naquela outra, a de 94, dirigida por Carlos Alberto Parreira e que tinha, por meta, garantir-se, jogando um futebol feio, porém, com risco zero de derrota.
    Tenho conversado com diversos colegas. Uns acham que o treinador Dunga não tem outra saída: com o material humano posto à sua disposição, de claras limitações, ou a equipe se reforça, defensivamente, ou tem vida breve, na Copa América. Não seria, portanto, questão de filosofia de jogo e, sim, tábua de salvação.
    A outra corrente sustenta que Dunga procede assim por pura convicção. Mesmo que tivesse à mão uma fartura de craques, ainda assim, ele ia preferir jogadores menos técnicos e mais combativos, no melhor estilo conservador, do qual foi modelo vitorioso ao longo de sua carreira.
    Um dos meus interlocutores me revelou que, há pouco tempo, teve um longo papo com Dunga, quando o técnico teria deixado claro a seguinte idéia: a maior prova de que o futebol ofensivo não compensa foi a seleção de 82 que, segundo ele, jogava bonito mas acabou perdendo. O exemplo oposto, citado pelo treinador, foi 94, quando o Brasil não dava espetáculo, mas dava alegria.
    Dunga está pouco se lixando pro gosto dos críticos. Ele nos vê como vagos poetas que jamais exprimiram a alma do povo. Ao torcedor, segundo Dunga, o que interessa é o ‘caneco’.
    Não sei se o meu colega chegou a falar com Dunga que o futebol brasileiro conquistou glórias no mundo inteiro, vencendo e jogando, sempre, lindamente. Eu vi o Brasil de 58 e o Brasil de 70, quando o futebol atingiu as culminâncias da própria arte.
    Este pobre marquês de Xapuri avisa a quem interessar possa: se, pra ganhar Copa do Mundo ou Copa América, a seleção tiver que jogar o futebol de meia tigela que tem jogado na Venezuela, sinceramente, eu me retiro de campo e ainda peço desculpa pela demora...

  4. 05/07/2007

    De prima


    Papo de general
    O campeonato brasileiro está uma graça. Você liga a tevê, aparece o Luxemburgo, com uma oratória otimista, achando que o time do Santos tem feito progressos; mas diz que a coisa tem que ser lenta, mesmo.
    O Santos tinha acabado de apanhar de 4 a 0 do Vasco, que vinha desandando a olhos vistos.
    Vira-se a página: lá está Carpeggiani, dizendo-se satisfeito com o rendimento do Corinthians, notadamente, no segundo tempo.

    Quem pegasse o finzinho da entrevista, concluiria que o Corinthians tinha acabado de vencer. Mas, não: o Corinthians acabara de tomar de 2 a 1 do Sport, de Recife.
    Ah, como é distorcida a retórica dos generais do nosso futebol.


    O drama do Grand Slam
    Inacreditável que um esporte como o tênis, que mexe com bilhões de dólares, por temporada, ainda viva refém da meteorologia. Torneios como Roland Garros e Wimbledon sofrem sucessivas interrupções, cada dia, por conta de chuva. Em Wimbledon, esta semana, houve partidas com quatro paralisações, só no período de três horas.
    Gasta um dinheirinho, gente, e faz uma cobertura, se não em todas as quadras, pelo menos, na quadra central. Eu me lembro que o Grand Slam da Austrália já foi assim. Os caras fizeram uma cobertura e pronto, acabou-se o problema.
    O show tem que continuar...

    A salvação está no diálogo
    Pode parecer cabotinismo, mas não. Acontece que o Blog do Armando Nogueira entra no seu segundo mês de ida e já registra, em 60 dias, um total de 200 mil visitas.
    Se é muito, se é pouco, não vem ao caso. Bom mesmo é saber que, graças à Internet, estou cada vez mais próximo de meus leitores, numa convivência que me remoça.
    Sinceramente, jamais pensei que essa ferramenta chamada Blog me permitisse um contato tão ardente, tão vital com meus interlocutores. Virtual, uma ova: Internet é irresistivelmente carnal.
    Não foi à toa que os gregos descobriram o diálogo.

  5. 03/07/2007

    A magia do drible



    Créditos: Eduardo Machado, Mario Lira, Samuel Gonçalves, André Luis

sobre o blog

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.

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