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  1. 20/06/2007

  2. 18/06/2007

    Complexo de Rogério Ceni


    Foi-se o sábado. Veio o domingo, tão pródigo de emoções. No Recife, um empate de dois a dois, entre América-RN e Sport, acaba num par de algemas. Lori Sandri, treinador do América, sai do estádio, imobilizado, como se fosse um monstro de escuridão, desses que a incisiva navalha finge que corta.
    Exagerou, sem dúvida, recorrendo a mímicas injuriosas. Acusava, sem provas, o árbitro de furtar sua equipe. Mas, nada que justificasse a extrema humilhação dos grilhões de Al Capone.
    Menos, menos!




    E quem não refrescou foi o técnico Carpegiani, que, desapontado com a pífia exibição do seu Corinthians, houve por bem pedir desculpas ao respeitável público. Queixa-se o técnico da indigência técnica da equipe, embora, reconhecesse que os jogadores tiveram brio no empate a zero com o Paraná.





    Nem mais, nem menos. E assim o São Paulo repõe a cabeça de fora, depois de um incômodo jejum. Nada, porém, que inspire a confiança de tempos recentes. O rival de domingo, o Vasco, não jogou mais do que já o fizera, quando o Botafogo aplicou-lhe surra de 4 a 0.



    Gostei, mesmo, foi de ver o Atlético Mineiro, com sua garotada, jogando em alta velocidade, sem dar uma breve trégua ao Figueirense. Com o Atlético Mineiro, amigo, tem havido bom futebol.





    O personagem realmente patético do domingo foi o goleiro do Botafogo, ao cometer uma furada cósmica, em bola atrasada por um colega de equipe. Tem razão o treinador Cuca. Ao analisar a falha de seu goleiro, Cuca acredita que, ali, houve uma preocupante dose de narcisismo, já manifestado anteriormente, no jogo com o Náutico. Ainda no primeiro tempo, Julio César, movido por um surto infantil de vaidade, resolveu fazer uma jogada de efeito. Deu drible de acintosa gratuidade. Típico do complexo de Rogério Ceni que anda acometendo a nova geração de goleiros brasileiros.
    O brio da equipe do Botafogo, mesmo abalada com a falha grotesca de seu goleiro, acabou alcançando a vitória por 3 a 1, quando já se desenhava o empate de 1 a 1 com o Náutico.
    Cuidado, guri: a soberba é prima irmã da temeridade.

  3. 17/06/2007

    Retalhos de um sábado na tevê


    Meu sábado esportivo se fez de retalhos: um pouco de vôlei, um pouco de Fórmula 1, um pouco de seleção, um pouco de ultraleve, um pouco de futebol. Ou seja, vi tudo e acabei não vendo nada. Tal como é próprio de um jornalista, esse estranho profissional que, um dia, um velho colega tão bem definiu, quando me disse, sabiamente.

    “Armando, o jornalista é um especialista em idéias gerais...” Perfeito! Tão perfeito que, a essa altura de um domingo sem sol, de essencial, mesmo, nada poderia falar sobre o que se passou na minha tarde de sábado.
    De qualquer forma, deu pra ver que a catedral mundial da Formula 1 continua embasbacada. É Alonso, pra cá, Felipe Massa, pra lá, enquanto o inglês Hamilton vem-que-vem; Hamilton, sem capacete, nos mostra um rosto de escurinho, fato inédito na elite do automobilismo.
    Mudei de canal, já estou no vôlei. A equipe reserva de Bernardinho demonstra que Marcos Vinicius (prata em 84) não está sendo nada prosa quando me diz que o vôlei brasileiro está dez anos à frente do rival mais próximo.

    A muralha da China é muro baixo comparada com o bloqueio dos brasileiros. A bola não tem como passar, nem mesmo em fatias...
    Zap! Agora, é a seleção, que está treinando na Granja Comari. Repete-se, à exaustão, a bola centrada sobre a área. É o técnico Dunga, querendo melhorar a precisão dos laterais, também chamados alas. Dunga tem razão.

    Em seguida, a entrevista convencional e uma atroz constatação: Dunga precisa, com urgência, melhorar de Português. “Com nós”, uma ova, professor! É conosco, mesmo, que o senhor está falando...
    Ao mesmo tempo, em três campos, três jogos do campeonato brasileiro. No Maracanã, Flamengo e Inter, no Pacaembu, Corinthians e Paraná e, no Olímpico, o Cruzeiro, jogando contra o que se poderia denominar o fantasma do Boca Juniors. Dos três jogos, o melhorzinho me parece o do Maracanã, com um dois-a-dois suado, sanguíneo.

    O time do Corinthians, da cintura aos pés, é incansavel; da cintura pra cima, simplesmente, intratável. Não pensa o jogo e, se pensa, é quase sempre tudo mal pensado.
    Não deu vôo. O tempo virou subitamente. Entrou um sudoeste de 40 quilômetros, daqueles brabos. Quando é assim, até urubu vai pra casa a pé...

  4. 16/06/2007

    Onipresença


    Marcar ou não marcar o Riquelme? Esta foi a questão que ficou do primeiro jogo em Buenos Aires, quando o craque aregentino foi a figura principal da vitória do Boca. Nos três gols do Boca, Riquelme teve papel preponderante.
    Vem, agora, o segundo jogo e, pelo visto, a receita, que não foi cumprida na Bombonera, terá que ser exaustivamente aplicada no Olímpico.
    A propósito, conheço uma histótia que mesmo tendo acontecido com o gênio, pode ser aplicada a qualquer jogador do calibre de Riquelme.
    Vamos aos fatos.

    "A imprensa uruguaia passara a semana inteira a falar do grande jogo, destilando otimismo. Fazia uma única advertência: que o Peñarol tivesse cuidado com Pelé, que o marcasse de perto – e aí estaria a fórmula da vitória certa. Em Buenos Aires, entre duas bombas e uma greve nos quarteirões de Nuñez, os jornais exaltavam a escola do Rio da Prata, destacando, contudo, que era preciso ter todas as atenções concentradas em Pelé. Uma vez bem marcado, Pelé estaria sem condições para golear e, certamente, ganharia o Peñarol.
    No hotel, em Buenos Aires, antes de tomar o ônibus para o estádio do River Plate, o técnico Bela Gutman recomendou: cerquem o Pelé e ganharemos. No vestiário, quase à hora de entrar em campo, o time do Peñarol foi convocado a um canto pelo técnico Bela Gutman:
    – Você, zagueiro-direito, só tem uma tarefa, hoje: marque o Pelé naquelas entradas dele pela meia esquerda. A cobertura será feita pelo zagueiro interior esquerdo. O esquema é infalível.
    Adiante, Bela Gutman chamou o zagueiro interior esquerdo: – Você hoje só precisa fazer uma coisa: marque o Pelé naquelas entradas pela meia direita. A cobertura é do zagueiro-direito. O zagueiro-direito, por sua vez, será coberto pelo lateral toda vez que Pelé entrar pela meia.
    Bela Gutman chamou o goleiro:
    – Você fica de olho nas bolas pingadas na pequena área: cuidado com o Pelé que é perigoso nas cabeçadas. Com os outros, não precisa se preocupar; bloqueie sempre os saltos do Pelé.
    Chamou, por fim, os dois apoiadores e pediu que ajudassem os quatro zagueiros na missão um tanto incômoda, reconhecia, de marcar Pelé. Incômoda, mas não impossível. Afinal de contas, Pelé não tem nada de super-homem. Basta marcá-lo com cuidado, com rigor, mobilizando as melhores energias do time, que ele ficará imobilizado.
    Tudo perfeito, tudo assentado, o Exército Argentino conjugado ao Exército Uruguaio, com a cobertura da Marinha e da Aviação. Jogo lançado, Pelé marcado, Pelé marcadíssimo, Pelé ultramarcado, Pelé cercado, Pelé agarrado, Pelé derrubado, Pelé sufocado.
    Bola na área, gol de Pelé."

  5. 15/06/2007

    De Prima



    Cuca é mais Botafogo
    Palavra de Bebeto de Freitas, hoje, de manhã: é verdade, sim, que uma equipe dos Emirados Árabes está querendo contratar o técnico Cuca. Porém, é mais verdade, ainda, que Cuca declinou do convite. Cumprirá, integralmente, seu contrato com o Botafogo, que termina em 2008. Pelo menos, foi o que disse o próprio Cuca, em conversa com o alto comando alvinegro.
    Além de Bebeto, ouvi Carlos Augusto Montenegro que confirmou: Cuca fica no Botafogo.


    Tocha olímpica
    O governador do Acre, Binho Marques, me convida pra cerimônia da tocha olímpica, de passagem por Rio Branco, minha terra. Legal, é uma distinção, mas, infelizmente, estou com uma inflamação no pé, não posso nem andar direito. Como minha conterrânea Gloria Perez também foi convidada, espero que me represente.





    O Arranca Toco...
    Deu o que tinha que dar: O Real Madri ficou com Robinho até domingo. Robinho joga a partida decisiva com o Mallorca e, no dia seguinte, dá as caras na Granja Comari. Tudo como manda o figurino.
    Não adianta querer dar murro em ponta de faca. Alguém esqueceu de avisar ao Dunga que o Real Madri não é o Arranca Toco, da Conchinchina.


sobre o blog

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.

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