15/06/2007
Era uma vez um fantasma...


Noite de quinta-feira, no Maracanã. Jogo único, solitário. Tão solitário que um desavisado poderia supor que o time do Botafogo, teria jogado sozinho, contra uma equipe que mais parecia um dócil fantasma.
É não era esperado que assim fosse. Afinal, enfrentavam-se os dois primeiros times do ranking neste começo de temporada. O Vasco tinha até mais ‘status’ que Botafogo. Pelo menos, de momento, era o líder contra o vice-líder.
Pois bem, de repente, não havia dois minutos de jogo e o Vasco já perdia de 1 a 0, fruto de um lança-chama de Dodô, num chute devastador, preciso e indefensável. Tratando-se de Dodô, é dispensável dizer que o gol foi belíssimo.
Daí em diante, o time do Botafogo jogava e o do Vasco fazia número. O time do Botafogo movia-se, em naipes, no campo, como se torno dele houvesse um imenso vazio de corpo, de alma, de suor. Retrato fiel da própria passividade. Nem parecia que, então, decidia-a liderança do campeonato.
A pergunta que se impõe é esta: afinal, o time do Botafogo é melhor do que se pensava, ou só, quinta-feira, é que o time do Vasco mostrou, por conta própria, que sua liderança tinha a fragilidade dos cachimbos de barro?
O melhor que tem a fazer o Vasco, como pondera o treinador Celso Roth, talvez seja dar tempo ao tempo. Afinal, uma goleada desse porte, 4 a 0, não dá pra digerir de um dia pro outro.
Quanto ao Botafogo, a palavra mais sensata vem do treinador Cuca: “Nossa equipe não é melhor do que as outras. Quer, apenas, continuar trabalhando pra tentar ser, hoje, melhor do que foi no jogo que passou.”
14/06/2007
E por que não?

Não deu, nem podia dar. A menos que o time do Grêmio tivesse feito, a contento, o que todos pregavam, a começar do treinador Mano Menezes: repetir na Bombonera o que tinha sido feito lá no Olímpico, quando o time do Grêmio montou um círculo de ferro em volta de Zé Roberto.
Quem não se lembra?: Zé Roberto foi literalmente asfixiado por um tipo de marcação coletiva que o fez inibir energia e talento, enquanto o Grêmio exercia uma marcação unânime que não o deixava sequer pensar, quanto mais executar qualquer jogada que pudesse ameaçar o anfitrião.
É verdade que, contra um grande craque, nem sempre a coisa sai pelos conformes. Dou um exemplo não muito distante: no mundial da Alemanha, a presunção generalizada era de que, no jogo com a França, Zidane teria que ser, vigiado, de perto, por um rodízio de marcadores.
Em vez de ficar ciscando, sem norte, na armadilha dos brasileiros, Zidane simplesmente ignorou o cerco e passou o jogo, a correr por todos os quadrantes, guiado por um fio de Ariadne. Deu no que deu.
Quarta-feira, foi a vez de Riquelme tirar de letra todos os percalços do labirinto do jogo. Tudo de bom que fez na partida o Boca, foi concebido pela magia irresistível do craque argentino. Da cabeça aos pés, Riquelme fez a lei do jogo.
Não diria que Riquelme, por mais cerebral que seja, tenha sido a peça decisiva e única contra a equipe do Grêmio.
O Boca é a melhor expressão da escola argentina de futebol solidário. E foi com essa divisa que o legendário senhor da bomboneira construiu a sua bela vitória contra o Grêmio.
Não poderia deixar de dizer que o caminho do triunfo foi aberto por uma falha de arbitragem, cometida por um dos bandeirinhas que deixou impune um triplo impedimento antes do primeiro gol do Boca. Considero, ainda, que o time do Grêmio retraiu-se além da conta, como se estivesse querendo assegurar o escore mínimo, nas circunstâncias, muito conveniente a quem jogaria em casa a partida decisiva. Erro de cálculo!
O segundo capítulo será desfolhado na próxima quarta feira, no estádio Olímpico em Porto Alegre. Com uma desvantagem de três gols, o Grêmio terá que ser, na sua própria casa, tão gigantesco quanto acaba de ser o Boca na Bomboneira.
Tratando-se de Grêmio, e por que não?