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  1. 06/06/2007

    Rápidas e Rasteiras



    O charme de Roland Garros
    O torneio de tênis de Roland Garros tem me consumido horas e horas de poltrona. Aliás, haja prazer. Dou uma dica a um amigo que me pergunta o que é que tem o Aberto da França que os outros torneios Grand Slam não conseguem ter. Simples: Roland Garros é jogado em quadras de saibro. Uma partida de cinco sets, no pó de tijolo, oferece muito mais alternativas, deixando longe, em matéria de emoção, o tênis de quadra dura, sobretudo, a grama.
    Sem contar que Roland Garros fica no coração de Paris...



    Federer, em todas as quadras
    Nove entre dez amantes de tênis, preferem Rafael Nadal, com o título de Roland Garros. Fico com a ‘esmagadora’ minoria. Nada de pessoal contra o espanhol. Simplesmente, me inclino por Roger Federer. Acho que merece fechar o ciclo do Grand Slam e só está lhe faltando um grande título no saibro.
    Federer merece a graça de ser campeão em todas as superfícies do planeta tênis.


    Duas máximas em Floripa
    Quem disse que o Figueirense ganha a Copa do Brasil, hoje, pode estar fazendo uma predição de oráculo em recesso. Tal como o coração, na célebre máxima de Pascal, “o futebol tem razões que a própria razão desconhece...” E mais não direi pra não ter que repetir outro provérbio, muito bem sacado, pelo jogador sueco Skoglund: “A bola é redonda e rola para todos...”



    Olhos vidrados na Vila
    E se eu disser que o Santos vai ter que mostrar que também sabe marcar em todos os quadrantes do campo? E se eu disser que o Grêmio terá de asfixiar o adversário, repetindo, em dobro, o que já fez no Olímpico, quarta passada? E se eu disser que nada nesse mundo desviará meus olhos do jogo de hoje na Vila?



    Egoísmo desvairado...
    E se eu disser que, tirando os santistas e os gremistas, o resto do Brasil prefere que a Libertadores caia no colo do Cucuta ou do Boca? E seu disser que a torcida do Avaí quer mais é que o Figueirense se dane, hoje, em Floripa? E se eu disser que rubro-negros, vascaínos, botafoguenses torcem pra que o Fluminense tenha mesma sina com que os fiéis do Avaí praguejam contra o Figueirense.
    E se eu disser que torcedor de futebol se enquadra, perfeitamente, no figurino do egoísta desvairado: “Se eu não posso ser feliz, pelo menos, que o outro também não seja...”

  2. 06/06/2007

    Argentina, cara de Brasil


    A moçada da mídia está relutante. O teste da seleção desapontou, tanto contra os ingleses e muito mais, contra os turcos. Desse jeito, já decretam os apocalípticos, a Copa América pode dançar. Não vejo a coisa tão feia como pintam.
    Todos lançam um olhar de apreensão, pensando, naturalmente, na Argentina, como sempre, considerada a alma negra dos brasileiros, no futebol do continente.
    Sucede que a Argentina não tem jogado essa maravilha. Se estivesse, não teria empatado com a Suíça e não teria tomado um bom susto na tarde aflitiva em que derrotou a Argélia, 4 a 3. Por sinal, no mesmo dia em que o Brasil empatava a zero com a Turquia.
    O momento é de reconstrução. O técnico Basile, na Argentina, e o nosso Dunga, ambos estão tentando refazer as seleções nacionais, mesclando sobreviventes da Copa do Mundo com gente da nova geração de lá e de cá.
    Se fosse possível reduzir as duas seleções a duas simples individualidades, talvez, desse pra reconhecer que o Brasil perde, no desfalque de Kaká, um ponto que a Argentina ganha, com a presença de Messi.
    Peço licença ao leitor pra omitir, na comparação com Messi, um certo nome porque, infelizmente, está por nascer um psicanalista capaz de me explicar o que passa – se é que passa – pela cabeça de Ronaldinho Gaúcho, quando joga (?) na seleção.
    De qualquer modo, é curioso notar que, com os dribladores Messi e Tevez, a Argentina chega à Copa América com mais cara de Brasil do que o próprio Brasil.

  3. 05/06/2007

    Ping-Pong



  4. 04/06/2007

    De prima


    Dois trunfos a menos
    O jogo de quarta, Santos-Grêmio, valendo vaga na Libertadores, perde dois trunfos que valem muito. Pelo menos, foi o que todos pensamos, no fim de semana, quando vimos Tuta, e Maldonado baixarem à enfermaria, ambos vítimas da mesma contusão: estiramento de músculo.
    Sinto que, uma vez consumada, a perda de Maldonado pesa mais que a de Tuta pro Grêmio.

    Justiça caolha
    Nada mais cruel que as duas interpretações, uma, no pênalti, outra, no off-side, que simplesmente tiraram a liderança do Paraná, domingo passado. A meu ver, nem houve o pênalti de Marcos Leandro, nem impedimento no gol do Paraná.
    Justiça caolha.



    No Flu, com otimismo
    Depois de ver a garotada reserva do Fluminense aprontar poucas e boas contra o Inter e, depois, contra o Vasco, não há como negar: Renato Gaúcho vai poder tocar, com otimismo, o barco tricolor no campeonato brasileiro.


    Quem sou eu...
    Será que o colombiano Cúcuta treme nas bases, quarta à noite, na bastilha do Boca Juniors? Aceito palpites alheios, já que, por mim, já errei tanto como profeta que não tenho mais o direito de me meter a sebo.



    Diálogo distante...
    O São Paulo venceu, domingo, em Curitiba, mas é nítido que ainda há muito que penar até que reencontre a harmonia de tempos recentes. Penso exatamente como o ainda impreciso Dagoberto. Dizia ele, na tevê, no domingo, que falta diálogo (dentro de campo) entre os jogadores.
    É dar tempo ao tempo.

    Uma Williams sereníssima
    O tênis norte-americano anda de mal a pior. Agora mesmo, em Roland Garros, só resta uma sobrevivente, que é Serena Williams. Por sinal, uma representante que vale quanto pesa...






    O time que não fecha conta
    Os catedráticos de futebol de mídia, sobretudo, a carioca, não apostam um tostão na campanha do time do Botafogo. Os que não abrem o jogo em público, por prudência, em particular não poupam de críticas ao elenco de Cuca – e ao próprio Cuca, também.
    Eu, que não tenho qualquer idiossincrasia em relação ao Botafogo, penso que não é bem assim. Mesmo ouvindo tantas vozes apregoando que o time de Cuca não sabe fechar conta, ainda assim, concedo-lhe um bom crédito.

    Talento não pega
    Vi algumas partidas da série eliminatória pro Campeonato Europeu, ano que vem. Esse continente continua a jogar um futebol que prima pela falta de talentos individuais.
    Mesmo repleta de craques sul-americanos, a Europa comprova que talento não pega por osmose.



  5. 04/06/2007

    A pombinha hidrófoba



    Maria Sharapova, a quem todos reverenciamos, pisou na bola, domingo. Tão boa tenista. Tão bonita – quem diria! – e tão insensível. Assim se passou o drama mal vivido pela musa.
    Ela jogava contra a suíça Pat Schnyder, pela passagem às quartas de Roland Garros. No terceiro e decisivo set, uma série de quebras de saque foi levantando o astral da platéia. Diga-se de passagem: não há torneio do circuito Grand Slam que ultrapasse o ardor com que Roland Garros celebra uma partida na sua mitológica quadra central.
    E era lá que pegava fogo a partida entre a bela Sharapova e a singela Pat Schnyder. Uma, beleza sempre louvada; a outra, com um rostinho casto de freira carmelita. Suave, porém, dura na queda.
    Maria Sharapova prepara-se pra servir: oito/sete. É ‘match point’. Schnyder, subitamente desconcentrada por um grito inesperado de um espectador, ergue o braço no gesto convencional de quem pede tempo. Sharapova, em vez de acatar o aceno da adversária, solta o braço. Ace.
    O árbitro, que tinha visto Schnyder levantar o braço e que tinha autoridade pra anular o ponto, foi incapaz de se manifestar.
    A multidão vaiou a cínica omissão do árbitro de cadeira. Maria Sharapova também deixou a quadra debaixo de vaia.
    Na entrevista coletiva, Maria, já não mais cheia de graça, soltou esta pérola:
    - Não sou nenhuma madre Tereza. Eu sou uma tenista!
    Pombinha hidrófoba.

sobre o blog

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.

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