31/05/2007
O campeão da altivez

O Santos, nem respirar respirou. O Grêmio conseguiu sufocá-lo, na noite gelada do Olímpico. Vitória inquestionável. Soberana. Se fosse uma luta de judô, eu diria que o time do Grêmio imobilizou o time do Santos. Travou Zé Roberto, justamente, as pernas que mais correm e que mais pensam no time do Santos.
Belo concerto de futebol me ofertou o Grêmio, em noite irretocável de seu estádio mítico. A platéia em peso palpitava com o time, escalando, freneticamente, os degraus da mais aguda felicidade.
Quem sempre amou o Grêmio, certamente, passou a amá-lo com mais fervor, ainda, depois do triunfo de dois a zero, a meio caminho de uma possível final de Libertadores.
Engana-se quem pensa que o time do Grêmio contentou-se com a tarefa unilateral de marcar o time do Santos. Desdobrou-se, foi à luta, de peito aberto. Defendeu com obstinação e atacou com destemor.
Em momento algum, O Grêmio portou-se como time de uma nota só.
É assim, mesmo, que se constrói um grande triunfo. Jamais, deixar-se levar pelas artimanhas do adversário. O Santos é a cara de Luxemburgo. Time sonso, que fica ruminando o jogo, bola pra cá, bola pra lá. Jeito maroto de dissimular suas próprias carências técnicas. O Santos atual, se puder, empurra o jogo com a barriga até hipnotizar o rival. Astúcias que costumam dar certo contra times desavisados.
O Grêmio não mordeu a isca. Pôs na mesa as suas próprias cartas. Pisou fundo no acelerador. Desatou o coração. Foi vertiginoso, do começo ao fim.
Desde já, Grêmio, campeão da altivez!