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Zero KM

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  1. 02/06/2007

    O justo



    O treinador reuniu a turma no vestiário e escalou doze: onze e o goleiro. O capitão do time estranhou, avisando que havia gente demais. O técnico, porém, sustentou a escalação:
    – Isso é problema do juiz, o teu é jogar e tentar ganhar a partida.
    E lá se foi o time para o campo.
    Cinco minutos de jogo, a torcida começou a gritar, alertando o árbitro: “O Pipira tem doze!” O árbitro interrompeu a partida, contou os times e deu uma bronca no capitão que, por sua vez, passou a bola ao treinador:
    – Fala co’ home ali.
    O juiz foi ao técnico e mandou retirar de campo o excedente. Uma confusão tremenda na pista. O técnico chamou o árbitro para uma conversa em particular. Saíram os dois na direção do centro do campo. A torcida, aos berros, descompunha todo mundo pelo atraso.
    Os dois isolados no grande círculo, o técnico pôs a mão no ombro do juiz e entrou nas explicações:
    – O problema é o seguinte: eu sou um homem de cinqüenta anos, estreando na profissão. E sou novo aqui na terra. Acontece que hoje de manhã, o presidente do clube me deu um bocado de nome, pra pôr no time. Dois são protegidos do delegado, quatro do comandante do destacamento, o goleiro é filho do gerente do banco, o presidente diz que os dois pontas-de-lança têm que jogar de qualquer maneira. Eu fui escalando, escalando.
    – É, mas passou da conta – diz o árbitro, inflexível.
    – E eu não sei que passou? Ia ser mais. Por sorte, o sobrinho do prefeito amanheceu com o pé inchado e pediu ao tio pra não jogar. Senão, entravam treze.
    – Bom, mas pra começar o jogo, o senhor tem que tirar logo um... – diz o juiz.
    – Eu, tirar um? Deus me livre. Tira o senhor. Por mim, o time joga com doze. Se o senhor está dificultando, vai lá o senhor e tira um, escolhe lá um. O mais que eu posso fazer é colaborar com o senhor. Por exemplo, não tire nem o cinco nem o seis que dá bolo com o chefe de polícia. E o pior é que agora eu já confundi tudo: não sei mais se o oito é gente do comandante do destacamento ou se é o filho do gerente do banco...
    O árbitro encarou o técnico do Pipira, enfiou o apito no bolso e saiu como uma fera:
    – Doze contra onze, comigo, não. Doze contra onze, só se me expulsarem da Liga.
    Parou diante do banco dos reservas do Serrinha F. C. e dirigiu-se ao técnico, sentencioso como nunca:
    – Carvalho, bota mais um dos teus homens em campo, Carvalho. Eu tenho horror a injustiça!

  2. 01/06/2007

    "Quem acha vive se perdendo"



    Créditos: Paulo R. Pereira, Anderson Portela, Anderson Oliveira.

  3. 31/05/2007

    O campeão da altivez



    O Santos, nem respirar respirou. O Grêmio conseguiu sufocá-lo, na noite gelada do Olímpico. Vitória inquestionável. Soberana. Se fosse uma luta de judô, eu diria que o time do Grêmio imobilizou o time do Santos. Travou Zé Roberto, justamente, as pernas que mais correm e que mais pensam no time do Santos.
    Belo concerto de futebol me ofertou o Grêmio, em noite irretocável de seu estádio mítico. A platéia em peso palpitava com o time, escalando, freneticamente, os degraus da mais aguda felicidade.
    Quem sempre amou o Grêmio, certamente, passou a amá-lo com mais fervor, ainda, depois do triunfo de dois a zero, a meio caminho de uma possível final de Libertadores.
    Engana-se quem pensa que o time do Grêmio contentou-se com a tarefa unilateral de marcar o time do Santos. Desdobrou-se, foi à luta, de peito aberto. Defendeu com obstinação e atacou com destemor.
    Em momento algum, O Grêmio portou-se como time de uma nota só.
    É assim, mesmo, que se constrói um grande triunfo. Jamais, deixar-se levar pelas artimanhas do adversário. O Santos é a cara de Luxemburgo. Time sonso, que fica ruminando o jogo, bola pra cá, bola pra lá. Jeito maroto de dissimular suas próprias carências técnicas. O Santos atual, se puder, empurra o jogo com a barriga até hipnotizar o rival. Astúcias que costumam dar certo contra times desavisados.
    O Grêmio não mordeu a isca. Pôs na mesa as suas próprias cartas. Pisou fundo no acelerador. Desatou o coração. Foi vertiginoso, do começo ao fim.
    Desde já, Grêmio, campeão da altivez!

  4. 31/05/2007

    De prima


    O inchaço de Maria
    Maria Sharapova reaparece no tênis de gala, que vem a ser Roland Garros. Uma luxação no ombro acabou tirando-a de jogo por 15 dias. Resultado: o corpo de musa está inchadinho. Coisas da cortisona.
    Não diria que a falsa gordura enfeiou-a. Deixou-a menos bela, pra consolo, talvez, de algumas invejosas e desconsolo dos tantos que a queremos tanto...




    O resto é vacilo
    Parte da imprensa carioca, pra não dar o braço a torcer, insinua hoje, que o time do Fluminense salvou sua pátria, empatando o jogo do Maracanã com o Figueirense. Se nada está perdido de todo, é indiscutível que um bom bocado o time tricolor acabou perdendo no anêmico empate de 1 a 1 com o Figueirense. Esse, sim, o herói da noite.
    O resto é bla-bla-blá que mal disfarça o vacilo. É só perguntar a qualquer torcedor do Fluminense se ele não está desapontado com o jogo.

    Os atalhos da seleção
    Outro dia, me perguntaram: Por que o jogador brasileiro já não preza tanto a seleção nacional? Simples. Pelo menos, eu vejo assim: antes, pra se valorizar, o craque tinha que chegar lá em cima. A seleção era o topo. Era a plataforma do lançamento do jogador.
    Hoje, há caminhos muito mais curtos pro estrelato. As subs, 15, 17, 20 anos, são valiosas vitrines. O guri pega um desses atalhos e, logo, desemboca no Milan, no Barcelona, no Chelsea, sem precisar do crivo da verdadeira seleção.
    Quanto ao patriotismo... deixa pra lá...




  5. 30/05/2007

sobre o blog

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.

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