28/05/2007
De prima
Zero-a-zero, nota zero


Todo mundo se queixa de jogo que acaba zero-a-zero. Um exemplo fresquinho foi São Paulo-Palmeiras. Nada de gol, nadinha de futebol. Um pavor, sem direito a ressalvas.
Zero-a-zero, nota dez


Mas, viva a exceção: Corinthians-Atlético Mineiro também não saiu do zero e, no entanto, foi uma partida empolgante. Pelo menos, a mim, aquele jogou me ultrapassou, chegando ao meu infinito.
Bruno, providencial

Com a palavra a caolha coerência da mídia carioca: ao mesmo tempo em que se diz que, mais uma vez, o time do Botafogo não soube ganhar um jogo (contra o Flamengo) exalta-se o goleiro rubro-negro Bruno, que voltou a alcançar a escala mais alta dos prodígios. O salto súbito pra salvar o Flamengo de uma testada foi providencial.
Bem que o Botafogo procura vencer, mas o goleiro Bruno teima em contrariar a vontade os alvinegros.
Falso testemunho
Por falar em Bruno, houve quem achasse (O Globo) que o rapaz bobeou na cobrança de falta de Lúcio Flávio. Uma perfeição de chute executado com a perícia de um micro-cirurgião.
Duplo falso testemunho.
Crime de lesa-tíbia
O doutor Rubens Aprobatto, presidente do STJD, devia pedir o teipe da falta(?) que o atacante Edmundo fez, pegando, frontalmente, a canela do zagueiro Miranda, do São Paulo, domingo de tarde.
Aquilo é crime de lesa-tíbia.
Ambição desmedida
O treinador Gallo talvez esteja pagando os pecados de uma descortesia injustificável. Gallo deixou na mão o time do Sport, do Recife, falando sozinho. Menosprezou a palavra empenhada. Tudo por não resistir a um aceno do Inter, de Porto Alegre.
Ambição sem tamanho é pecado mortal.
A esparrela dos Perrela

O time do Cruzeiro parece condenado à insensatez. Por tudo e por nada, troca treinador, troca jogador e não sai do buraco. Sabem por que amigos? Desconfia-se que os irmãos Perrela transformaram o clube num mero entreposto onde pouco se compra e muito se vende. Como se cada valor da vida tivesse seu preço.
Exemplo de desapreço.
Nem búzios, nem corais


Vem por aí um jogo de provocar arritmias. Turbulentos corações à vista. Falo de Santos-e-Grêmio, pelas semi-finais da Libertadores. Não me peçam mais palpites. A essa altura da vida, já pendurei as chuteiras de minhas pretensões. Cansei de adivinhar o que nunca adveio.
Adeus, predições!, Deitei fora os búzios, sepultei meus corais. Profecias, nunca mais!
O cacife da FIFA
A FIFA acaba com futebol acima de 2500 metros de altura. A medida é salutar, mas só pega peixe miúdo: La Paz, Quito e outros quantos. Devia ter baixado o nível pra dois mil metros, que é igualmente insalubre. Sucede, porém, que a dois mil metros fica a Cidade do México, país cujo futebol é manipulado por grossa cartolagem.
Hóstias do futebol
Gostei de ver como foi bem recebida a crônica sobre Zico. Nada como uma ponta de nostalgia pra gente poder comungar as hóstias do futebol com os internautas do bem querer.
Prometo não abandonar o filão que nos leva ao passado, sem pieguices. Só com salpicos de saudade.
Golfe seria uma saída
Na mesma linha de satisfação, registro a acolhida que vocês deram à nota em que deplorei os equívocos da bandeirinha Ana Paula, co-autora da eliminação do Botafogo da Copa do Brasil.
No primeiro momento, chegou a dar vontade de trocar o futebol pelo golfe. O golfe, pelo menos, não tem bandeirinha que se mexe...
Da série Lições do Esporte:
“O passe é o traço de união entre almas da mesma cor.”