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Zero KM

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  1. 29/05/2007

    Diego, flor da primavera



    Créditos: Eduardo Machado; Mario Lira; Samuel Gonçalves; André Luiz.

    Minutos depois de gravar esta exaltação ao goleiro Diego, fiquei sabendo que Dunga o tinha convocado pros novos testes da seleção nacional. Sinal de que estamos todos de olhos abertos ao que de bom vai pintando no futebol brasileiro.

  2. 28/05/2007

    De prima


    Zero-a-zero, nota zero
    Todo mundo se queixa de jogo que acaba zero-a-zero. Um exemplo fresquinho foi São Paulo-Palmeiras. Nada de gol, nadinha de futebol. Um pavor, sem direito a ressalvas.





    Zero-a-zero, nota dez
    Mas, viva a exceção: Corinthians-Atlético Mineiro também não saiu do zero e, no entanto, foi uma partida empolgante. Pelo menos, a mim, aquele jogou me ultrapassou, chegando ao meu infinito.





    Bruno, providencial
    Com a palavra a caolha coerência da mídia carioca: ao mesmo tempo em que se diz que, mais uma vez, o time do Botafogo não soube ganhar um jogo (contra o Flamengo) exalta-se o goleiro rubro-negro Bruno, que voltou a alcançar a escala mais alta dos prodígios. O salto súbito pra salvar o Flamengo de uma testada foi providencial.
    Bem que o Botafogo procura vencer, mas o goleiro Bruno teima em contrariar a vontade os alvinegros.

    Falso testemunho
    Por falar em Bruno, houve quem achasse (O Globo) que o rapaz bobeou na cobrança de falta de Lúcio Flávio. Uma perfeição de chute executado com a perícia de um micro-cirurgião.
    Duplo falso testemunho.
    Crime de lesa-tíbia
    O doutor Rubens Aprobatto, presidente do STJD, devia pedir o teipe da falta(?) que o atacante Edmundo fez, pegando, frontalmente, a canela do zagueiro Miranda, do São Paulo, domingo de tarde.
    Aquilo é crime de lesa-tíbia.

    Ambição desmedida
    O treinador Gallo talvez esteja pagando os pecados de uma descortesia injustificável. Gallo deixou na mão o time do Sport, do Recife, falando sozinho. Menosprezou a palavra empenhada. Tudo por não resistir a um aceno do Inter, de Porto Alegre.
    Ambição sem tamanho é pecado mortal.



    A esparrela dos Perrela
    O time do Cruzeiro parece condenado à insensatez. Por tudo e por nada, troca treinador, troca jogador e não sai do buraco. Sabem por que amigos? Desconfia-se que os irmãos Perrela transformaram o clube num mero entreposto onde pouco se compra e muito se vende. Como se cada valor da vida tivesse seu preço.

    Exemplo de desapreço.


    Nem búzios, nem corais
    Vem por aí um jogo de provocar arritmias. Turbulentos corações à vista. Falo de Santos-e-Grêmio, pelas semi-finais da Libertadores. Não me peçam mais palpites. A essa altura da vida, já pendurei as chuteiras de minhas pretensões. Cansei de adivinhar o que nunca adveio.
    Adeus, predições!, Deitei fora os búzios, sepultei meus corais. Profecias, nunca mais!


    O cacife da FIFA
    A FIFA acaba com futebol acima de 2500 metros de altura. A medida é salutar, mas só pega peixe miúdo: La Paz, Quito e outros quantos. Devia ter baixado o nível pra dois mil metros, que é igualmente insalubre. Sucede, porém, que a dois mil metros fica a Cidade do México, país cujo futebol é manipulado por grossa cartolagem.
    Hóstias do futebol
    Gostei de ver como foi bem recebida a crônica sobre Zico. Nada como uma ponta de nostalgia pra gente poder comungar as hóstias do futebol com os internautas do bem querer.
    Prometo não abandonar o filão que nos leva ao passado, sem pieguices. Só com salpicos de saudade.
    Golfe seria uma saída
    Na mesma linha de satisfação, registro a acolhida que vocês deram à nota em que deplorei os equívocos da bandeirinha Ana Paula, co-autora da eliminação do Botafogo da Copa do Brasil.
    No primeiro momento, chegou a dar vontade de trocar o futebol pelo golfe. O golfe, pelo menos, não tem bandeirinha que se mexe...




    Da série Lições do Esporte:
    “O passe é o traço de união entre almas da mesma cor.”



  3. 26/05/2007

    A Última Noite



    No dia-dia do meu blog, falei, outro dia, de uma crônica que escrevi, exaltando a noite em que o grande Zico encerrava sua portentosa carreira. No mesmo dia, choveu pedido. Muita gente, me pedindo pra republicar a tal crônica.
    Há pedidos que soam como ordem. Aí está “A Ultima Noite”:
    “Maracanã, enfeita de bandeiras tuas arquibancadas que hoje é dia de festa no futebol. Encomenda um céu repleto de estrelas. Convida a lua (de preferência, a lua cheia). Veste roupa de domingo nos teus gandulas. Põe pilha nova no radinho do geraldino. E, por favor, não esquece de regar a grama (de preferência, com água-de-cheiro).
    Avisa a multidão que ninguém pode faltar. É despedida do Zico e estou sabendo, de fonte limpa, que, hoje á noite, ele vai repartir conosco a bela coleção de gols que fez nos seus vinte anos de Maracanã. Eu até já escolhi o meu: quero aquela obra prima, o segundo gol do Brasil contra o Paraguai na eliminatória do mundial de 86. Me lembro como se fosse hoje. Zico recebe de Leandro um passe de meia distância já na linha média dos paraguaios. Um efeito imprevisto retarda a bola uma fração de segundo. Zico vai passar batido - pensei. Pois sim. Sem a mais leve hesitação, sem sequer baixar os olhos, ele cata a bola lá atrás com o peito do pé, dá dois passos e, na mesma cadência, acerta o canto esquerdo do goleiro paraguaio.
    Passei uma semana vendo e revendo no teipe aquele instante mágico de um corpo em harmonioso movimento com o tempo e com o espaço. E a bola, coladinha no pé, parecia amarrada no cadarço da chuteira.
    Um gol de enciclopédia.
    Se o amável leitor aceita uma sugestão, dou-lhe esta: escolha um dos gols que Zico fez graças a sua arte singular de chutar bola parada.
    Chutar a bola de falta á entrada da área é um talento que Deus lhe deu, mas não de mão beijada como imaginam os desavisados. Zico trabalhou seriamente, anos e anos, para alcançar a perfeição dos efeitos sublimes. À tardinha, quando terminava o treino, ele costumava ficar sozinho no campo do Flamengo - ele, uma barreira artificial, uma bola e uma camisa caprichosamente pendurada no canto superior das traves. A camisa era o alvo.
    Zico passava horas sem fim, chutando rente á barreira e derrubando a camisa lá de cima das traves.
    Chegava o domingo, na cobrança da falta, a bola já estava cansada de saber onde ela tinha que entrar.
    Não tenho dúvida em dizer que tardará muito até que apareça alguém que domine como Zico o dom de cobrar falta ali da meia-lua.
    Celebremos, querido torcedor, a última noite do maior artilheiro da história do Maracanã. Será uma despedida de apertar o coração. Se te der vontade de chorar, chora. Chora sem procurar esconder a pureza da tua emoção. Basta uma lágrima de amor para imortalizar o futebol de um supercraque.
    Cantemos, Maracanã, teu filho ilustre, relembrando em comunhão os dribles mais vistosos, os passes mais ditosos, os gols mais luminosos desse fidalgo dos estádios que tem uma vida cheia de multidões.
    Louvemos o poeta Zico que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés.”

  4. 25/05/2007

    No retrovisor do táxi...



    Há 25 anos, o futebol brasileiro sofria um golpe terrível. A seleção era derrotada pela Itália, numa virada de escore absolutamente desconcertante. O carrasco do Brasil, no tal jogo sinistro, foi o jogador Paolo Rossi.
    Olhem só o que aconteceu com ele, naquele ano...



    Créditos: Paulo R. Pereira, Anderson Portela, Anderson Oliveira.

  5. 24/05/2007

    Impávido colosso



    O time do Botafogo chegou ao improvável, no Maracanã embandeirado: derrotou, com folga, o time do Figueirense, por 3 a 1, mas, ainda assim, acabou morrendo na praia. Seu jovem e firme goleiro deixou-se levar por uma bola enganadora. Assim, saiu o gol que classificaria o Figueirense à final da Copa do Brasil, com o Fluminense.
    Pra azar do Botafogo, a bandeirinha Ana Paula errou feio, duas vezes, anulando dois gols legais do Botafogo.
    Nos dois gols, não houve impedimento algum. No primeiro, Zé Roberto estava na mesma linha de um zagueiro rival. Um lance irretocável. Na segunda anulação, a moça achou que um jogador alvinegro, no instante em posição passiva, teria perturbado a ação do goleiro Wilson, do Figueirense.
    O que mais me impressiona em Ana Paula é a firmeza com que ela comete seus erros. A convicção dela é bíblica.
    Reparem que Ana Paula levanta o pau da bandeira como se tivesse na mão o próprio impávido colosso do hino pátrio.

sobre o blog

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.

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