21/05/2007
Rápidas e Rasteiras

Federer, mais que nunca

Enfim, um jogo revelação: o problema de Roger Federer não era o saibro, como andei pensando, ultimamente, depois de ver o espanhol Rafael Nadal, implacável, derrotar o seu rival suíço, em sucessivas finais da série Masters de tênis da ATP.
Domingo, Federer inverteu a equação: ganhou Hamburgo, 2 sets a 1: perdeu o primeiro, 6-2, fechou o segundo, devolvendo o 6-2 do primeiro, e, por fim, despediu Nadal, com um torrencial 6-0, no set decisivo.
O jogo de Hamburgo deixa uma senha pro próximo Grand Slam, daqui a alguns dias: Roger Federer, o príncipe do tênis, com certeza, não será apenas um turista ilustre em Roland Garros.
Em tempo: o espanhol Nadal estava sem perder no saibro há 81 jogos.

A janela indiscreta...
Ninguém ousaria predizer o desfecho do campeonato brasileiro, quando mal começa a inana. Uma coisa, porém, qualquer um já pode arriscar: até agora, não pintou ninguém capaz de sobrar na turma, por excelência. Todos os times estão navegando nas mesmas águas. Muita transpiração, pouca inspiração.
O viveiro nacional sofre e deve continuar a sofrer o arrastão do mercado internacional. No meio do ano, quando se abrir a tal janela de transferências, veremos quem fica, veremos quem vai.
Os empresários estão de olho em gente como Alexandre Pato, (Inter), Carlos Eduardo (Grêmio), Renato Augusto e outras jóias que hão de surgir até lá. Deus queira!

A rodada bem rodada...
Na linha do raciocínio que abre a nota anterior, vi transcorrer a segunda rodada, com os times nivelados, num padrão mediano. Claro que há circunstâncias atenuantes. O Fluminense foi ao Olímpico cheio de reservas. O próprio Grêmio poupou valores como Lucas. O Santos e o Figueirense, por razões idênticas, enfraqueceram suas equipes, em nome, ora da Libertadores, ora, da Copa do Brasil.
Dos envolvidos em competições paralelas, o único a bancar seu jogo com time completo foi o Botafogo. Que, ainda, assim, passaria raspando por um Atlético Mineiro cheio de fogosas saliências. É uma equipe de dar gosto ver jogar. Pelo ímpeto ofensivo.
Tive um relato auspicioso da performance do Flamengo, no Serra Dourada, contra o Goiás.
Menos mal que a vitória vem amainar os ventos tempestuosos que andaram balançando o coreto do treinador Ney Franco, o que não há de ser uma grande intolerância da mídia e da torcida rubro-negra.

O bruxo do futebol
Diz Romário que, na hora de chutar a bola do pênalti, estava nervoso. Se estava, não deu pra perceber. O chiclete disfarça a alma de quem rumina. O semblante de Romário chegou a me lembrar contemplação.
Seja lá o que for, o importante é que a cobrança saiu como reza a bíblia do futebol: o goleiro caiu pra um lado, bola entrou no outro e foi escorrer, mansamente, à meia altura, pelas malhas da rede inútil.
Astúcias de Romário, o velho bruxo do futebol.
17/05/2007
Rápidas e Rasteiras

A rima rica da final

A noite de ontem foi risonha e franca, pelo menos, pra dois dos quatro times que sonham com a conquista da Copa do Brasil. Está na cara que estamos falando de Figueirense e Fluminense, por sinal, rima rica de duas belas vitórias.
A situação ficou tão confortável que não seria nenhum delírio imaginar uma final entre os dois. Esta, pelo menos é a minha aposta.

A conta do chá

O Botafogo não era o favorito da maioria? Passaria pelo Figueirense, em Santa Catarina, depois, repetiria a proeza, no Rio.
Tinha o aval e as graças da crítica e até dos catedráticos de esquina.
Confesso aos amigos que trazia comigo fundadas reticências. Já há algum tempo, o time de Cuca vinha dando claros sinais de declínio físico e mental. Na minha avaliação, o time não agüentou o tranco. Seria difícil que pudesse atravessar, incólume, a convergência de três competições quase simultâneas: Copa do Brasil, decisão a Taça Rio, decisão do campeonato carioca e, por fim, o despontar do campeonato brasileiro.
Batalhar, sem trégua, em três frentes diferentes, pode até dar, mas não será com time na conta do chá.

Os galhos do arvoredo
Já no andar de cima, onde se disputa a Libertadores, não estou convencido de que, ao perder no Uruguai, o Grêmio esteja tão ameaçado de degola. Antes que alguém me lembre o caso do Flamengo, com o mesmo Defensor, direi que as circunstâncias são bem distintas. Primeiro, que descontar dois gols é bem mais fácil que descontar três. E, segundo, que o Grêmio joga a próxima no Olímpico, o território sagrado de sua tórrida família.
O Defensor eliminou o Flamengo, no Maracanã. Ora, amigos, todo mundo sabe que o Maracanã, pelo seu gigantismo, sempre foi considerado campo neutro. É terra de ninguém. O visitante, quando entra no campo, sente-se em casa. A começar pelo árbitro. Que o diga o juiz argentino Baldassi, de desonrosa memória...
Aqui entre nós: na partida de volta, como diria Noel Rosa, o Grêmio vai fazer tremer os galhos do arvoredo e vai fazer a lua nascer mais cedo...

Guga, a própria bandeira

O Aberto de França estendeu tapete vermelho pra receber Guga, em Roland Garros. Assim tem sido, desde quando ele empalmou três títulos, convertendo-se numa das glórias vivas da catedral do tênis francês. A prestigiosa revista ‘Tennis Magazine’, deu-lhe a capa do numero especial do torneio. Era a esperança de rever Guga na quadra central.
Contudo, Guga preferiu não disputar, este ano, mesmo tendo recebido convite especial da direção de Roland Garros. Falou mais alto o brio do tricampeão.
Consola-nos – se consolo for – saber que, graças a Guga, a bandeira brasileira jamais deixará de ser hasteada num dos mastros de Roland Garros, haja ou não brasileiro na parada.
É do cerimonial de Roland Garros.

Na poltrona da janela...
Na largada da Libertadores, ninguém apostava um dólar (pra citar uma moeda furada...) nem no time colombiano do Cúcuta, nem no uruguaio Defensor. Os dois não teriam fôlego pra meia légua que fosse.
O Defensor já chegou onde ninguém esperava e o Cúcuta por sua vez, que nem no ônibus principal entraria, agora, está se ajeitando pra sentar na poltrona da janela. Ontem cravou 2 a 0 no Nacional. Querem mais?
16/05/2007
Pé no freio

Ronaldinho Gaúcho e Kaká desistem da Copa América. Os dois se queixam de fadiga. Alegam, em cartas parecidas, que não sabem o que é ter férias, há mais ou menos dois anos.
A CBF poderia obrigá-los a jogar, mas preferiu encaixar o golpe; e que golpe! Afinal, pulam fora da seleção nada menos que as duas maiores estrelas da companhia.
O tema levanta logo especulações. Há quem diga que a dupla renúncia teria, no fundo, o dedo do Milan e do Barcelona. Quem sabe? Os clubes europeus têm uma crescente irritação, segundo já confessaram, pela maneira arbitrária com que as seleções se apropriam de seus luxuosos elencos.
Os europeus já não engolem ter que dar jogador pra Copa do Mundo. Acham que Copa América é caça-níqueis.
Outro ângulo da questão seria uma espécie de troco. Logo que assumiu a seleção, Dunga teria deixado os dois na geladeira, enquanto escalava outros peixes miúdos.
Conhecendo como todos conhecemos a conduta pessoal e profissional de Kaká, custa crer que ele não esteja sendo sincero na carta em que renuncia à Copa América.
Quanto a Ronaldinho Gaúcho, também, não creio em forra. A idéia de uma represália não me sensibiliza.
Uma pressão do Barcelona me parece plausível. Já a versão de fadiga, francamente. Ronaldinho Gaúcho foi um dos que jogaram a Copa do Mundo como se estivesse de férias...