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  1. 16/05/2007

    Enciclopédia: 82 anos


    Nilton Santos, A Enciclopédia do Futebol, está fazendo 82. O Blog do Armando Nogueira presta-lhe esta singela homenagem:



  2. 14/05/2007

    De prima



    Gol de André Lima, no jogo do Botafogo com o Inter. O goleiro Renan fecha os ângulos rasteiros. Bico da chuteira, ligeiramente amanteigada, o atacante botafoguense encobre o goleiro do Inter, com um lençol nupcial.
    No tênis, seria um doce ‘lob’.






    E o gol de Edmundo, contra o Flamengo? Tipo do lance sem pé, nem cabeça. O jogador pensa uma coisa e o pé faz outra. Edmundo diz que fez exatamente o que tinha concebido. Cara-de-pau.




    O Inter escalou, domingo, contra o Botafogo, um colombiano chamado Vargas. O cara não refresca. Levanta poeira. Faz uma média de vinte faltas por jogo e jamais é cobrado pela arbitragem.


    Por falar em jogador violento, o que bate o volante Clayton, do Flamengo, já merecia, ao menos, um puxão de orelhas dos árbitros. Além de castigar o semelhante, Clayton joga, reclamando de tudo e de todos. Confunde garra com marra.




    Tinhoso esse time do Sport, Recife. Deu um calor de braseiro no time do Santos, domingo. No fim do jogo, Luxemburgo culpava a arbitragem, mascando a derrota com dentes metálicos.






    Fórmula-1 nunca foi a minha praia. Bem que eu gostaria de gostar, mas parece que não é esporte pro meu bico. Contudo, sinto que Felipe Massa, mesmo sem ter ar enigmático de Senna, tem a intrepidez dos campeões.


    Por falar em Fórmula-1, sempre achei que o Barrichello, com aquele semblante de anjo barroco, está mais pra mansidão de Gugu Liberato do que pra voracidade de Michael Schumacher.




    Os seguintes jogadores figuram na minha lista de atrações individuais pro campeonato brasileiro: Araújo, do Cruzeiro, que joga o fino; Vitor Junior, um armador do Sport; Renato Augusto, do Flamengo, que está aprendendo a chutar; Leandro Guerreiro, do Botafogo, volante de classe, com raro senso de marcação e de colocação; Dagoberto, pérola recém-chegado ao São Paulo; Valdívia, do Palmeiras, fina flor do futebol; Alexandre Pato, um estilista de altas invenções.


    É claro que estou admitindo que meus preferidos resistam ao cerco de outras freguesias, na janela de transferências, no meio do ano.


    O estado-maior da Corrida Aérea, que tanto sucesso fez, há um mês, na Praia de Botafogo, vai preparar pelo menos um piloto brasileiro pra corrida do ano que vem, de novo, no Rio.



    Da série Lições do Esporte:
    "Deus castiga a quem o craque fustiga."




  3. 14/05/2007

  4. 12/05/2007

    Neném Prancha, o filósofo da bola



    Neném Prancha existiu. Quem quiser que duvide. Digo-o e dou meu testemunho, com firma reconhecida em todos os cartórios do futebol. Dormia em baixo da arquibancada do estádio do Botafogo.
    Freqüentei-o durante anos. Era esquivo, mas, pra sorte minha, Neném foi com a minha cara, desde quando fui a ele apresentado pelo jogador Geninho, um dos astros do time do Botafogo.
    Neném Prancha era o nome de guerra de Antonio Ferreira Franco de Oliveira. O apelido é inspirado no tamanho descomunal de suas mãos que lembravam as pranchas com que os banhistas pegavam onda na praia de Copacabana.
    Neném começou a dar o ar de sua graça no futebol, treinando equipes no areial da praia de Copacabana. No espelhinho de plástico da carteira de dinheiro, ele guardava, como relíquia, uma foto, já esmaecida, de um rapazinho muito bom de bola que ele se orgulhava de ter descoberto. Era Heleno de Freitas, que viria a ser o lendário centro-avante do time do Botafogo e da seleção brasileira.
    Convivi com Neném Prancha, anos e anos. Era uma delícia ouvi-lo falar de futebol. Eu morreria de remorsos se não confessasse que, na minha carreira de cronista esportivo, Neném Prancha tem um lugar de realce no fundo do meu coração. Inesquecíveis as lições de futebol que aprendi com ele nos papos de fim de tarde, no jardim da sede colonial do Botafogo.
    Uma tarde, ele me disse, mostrando, com o dedo apontador, as laterais do gramado:
    - “Olhe, uma coisa séria que está acontecendo com o futebol: a lateral do campo é sempre gramadinha. O meio é careca. É que os times estão jogando cada vez menos pelos lados. Um dia, os técnicos vão acabar com os pontas...”
    Profecias do nosso Neném Prancha. Nos anos 50, ele já me cantava o que acabaria acontecendo pelos anos 80. Sumiram de vez com os pontas.
    E Neném me explicava porque. A marcação pelos lados era sempre muito dura, chegava a ser brutal, mesmo. Os pontas apanhavam o jogo todo. Os beques desciam a lenha, pra valer, escudados na certeza de que perigo de gol só havia nas faltas frontais à área.
    - “Os pontas não são trouxas. Aos poucos, eles vão acabar abandonando as jogadas de linha de fundo.”
    Sempre vi em Neném Prancha um pensador. Como técnico, jamais chegou a fazer nome. Acontece que o forte dele não era fazer craques e sim debruçar sobre as indagações do futebol. Era um filósofo. Daí a idéia de um amigo, que me sugeriu alinhar uma seleção de pensamentos de Neném Prancha, ao longo de quase cinqüenta anos de cochichado amor ao futebol.
    Pois aqui está, em resumo, o que se poderia chamar ‘O Pensamento Vivo de Neném Prancha’:
    Tarde de experiência no campo do Botafogo (todos os clubes da cidade destinavam um dia da semana pra testar vocações: centenas de meninos, gente pobre dos subúrbios, vinham disputar, aos olhos dos treinadores, uma chance no futebol profissional). Neném Prancha, modesto roupeiro do Botafogo, assistia ao treino, sentado no último degrau da arquibancada. Acabada a peneira, ele vai ao encontro de um crioulinho que tinha feito uma experiência, a pedido dele:
    – Olha, meu filho, eu vi que você leva jeito, mas achei que você é meio acomodado. Não é de brigar pela bola. E isso é ruim. Eu vou lhe arranjar outra chance, mas ouça o que eu vou lhe dizer: “Você é um menino pobre, na sua casa, só deve comer uma vez por dia. Pois bem, jogador de futebol, pra vencer na vida, tem que ir na bola como quem vai num prato de feijão!”
    Neném Prancha. Com ele, aprendi preciosas lições de futebol.

  5. 11/05/2007

    De prima



    Zé Roberto assinou, esta semana, carta-de-intenções com o Botafogo. É o primeiro e decisivo passo de um novo contrato com o Botafogo.






    À vista, uma briga de foice em quarto escuro. Dezoito estados brasileiros disputam, junto à FIFA, via CBF, o direito de ser uma das 12 sedes de jogos do mundial de 2014, virtualmente programado pro Brasil, que é candidato único.

    Amarildo está no Rio, querendo comprar apartamento, de preferência, na zona sul. Nosso campeão mundial de 62, que viveu anos e anos na Itália, agora, volta, de vez, aos pagos e sua consagração.

    Mais Amarildo: ele será entrevistado por mim e por Paulo César Vasconcelos, quinta que vem, no Papo Com Armando Nogueira. Só a novela da entrada de Amarildo, no lugar de Pelé, em 62, dá um caldo de densa nostalgia.





    O jogo Botafogo-Atlético Mineiro, quinta, no Maracanã, me deixou duas certezas: Julio César, do Botafogo, e Diego, do Galo, ambos no fulgor dos 20 anos, estão pintando como já pintou o excepcional Bruno, do Flamengo.
    No mundial de 2014, seja ou não seja no Brasil, Julio César e Diego estarão com 27 anos, e o Bruno com 29. É a flor da idade.



    Demais esse Zé Roberto, astro principal da companhia Santos FC. No jogo contra o Caracas, Zé Roberto fez tudo: cantou (o jogo), fez dançar (o adversário), fez gol de letra (maiúscula).
    O cara é o metrônomo da equipe do Santos.






    Uma pergunta que os cartolas não admitem responder: por que os clubes não vendem bilhete de futebol pela Internet? Será pelo prazer sádico de ver sofrer o povão ou será por mutretagem, mesmo?

    Não adianta: a raquete de Federer sofre alergia a pó de tijolo. No saibro de Roma, o italiano Volandri, 53º do ranking, despachou o nosso herói, por dois sets a zero.
    Delírio em Roma.



    Uma ciência nova está revolucionando os processos de recuperação do atleta de alta performance. É a Fisiologia do Esporte. Cada vez mais fica trás o risco de fadiga muscular.

    A Justiça da Suíça entra de sola nas contas bancárias de Nicolaz Leoz, presidente da Conmebol, (Confederação Sulamericana de Futebol). Uma corte de magistrados está juntando provas de que o tal cartola teria empalmado uma erva gigantesca em tenebrosas transações com uma tal de ISMM.
    Vai pipocar chumbo grosso pra cima do Nicolau...

sobre o blog

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.

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