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  1. 11/05/2007

    Rápidas e Rasteiras




    Juiz: a alma negra está solta
    Outro dia, baixou, aqui na telinha, um e-mail de Edson Resende, agradecido pela força que andei dando ao padrão da arbitragem brasileira, nesse começo de temporada. Edson Resende, pro menos avisados, é o manda-chuva da arbitragem da CBF.
    De repente, porém, a coisa começou a desandar feio. O coronel Beltrami erra, clamorosamente, e prejudica o time do Botafogo, na final carioca contra o Flamengo. A torcida alvinegra, indignada, rebaixou o coronel a soldado raso. Resultado: o melhor time ficou chupando o dedo...
    Vida que segue, vem um argentino ‘muy amigo’ e ferra o Flamengo contra o uruguaio Defensor: tolera jogo bruto, faz vista grossa à cera deslavada dos uruguaios, ignora dois pênaltis pró Flamengo. Resultado: sua má arbitragem tira o Fla da Libertadores, privando o caixa rubro-negro, no mínimo, de alguns milhões de reais.
    Agora, quinta de noite, foi a vez de Simon, um gaúcho vaselina, entrar também na onda das arbitragens sinistras. Não marcou um pênalti, que não foi um pênalti qualquer, porque, marcado, aquele certamente teria classificado o Atlético Mineiro e não o Botafogo às semi da Copa do Brasil.
    A garotada do Atlético (êta timezinho indigesto e bom de bola!) quase perde a cabeça. Colérica, a equipe mineira cercou o juiz, com temíveis intenções. Não fosse o chega-pra-lá da segurança, Simon teria sido duramente esmurrado.
    Arbitragem, teu nome é iniqüidade, é flagelação.


    Insensatez, muro baixo
    Luxemburgo, já decidiu: entre o campeonato brasileiro, que vai começar, e a Libertadores, que está rolando, o Santos dará prioridade à Libertadores. O Fluminense, idem, em relação à Copa do Brasil. Por sua vez, o Botafogo ainda não se manifestou, mas, certamente, vai de time misto contra o Inter, domingo, na primeira rodada do Brasileiro.
    Espero que os amigos internautas tenham entendido a minha bronquinha contra a estupidez do calendário do futebol brasileiro.
    A grande atração da temporada, o Brasileiro, é tratado como se fosse uma espécie de linha auxiliar do calendário sul-americano.
    Futebol brasileiro, teu nome é insensatez, é muro baixo.


    Pensatinha
    Da série Lições que o futebol me Ensinou:"O torcedor de futebol é a encarnação do aforismo de Jules Renard: Não basta ser feliz; é preciso que os outros não sejam..."

  2. 10/05/2007

    Rápidas e Rasteiras





    Juntando os cacos
    Amanheço, juntando os cacos de minhas furadas previsões: no Olímpico, o Grêmio elimina o São Paulo, quando o esperado, pelo menos por mim, era que o gaúcho venceria; venceria, mas não passaria adiante porque o São Paulo faria um golzinho que poderia ser a sua salvação.
    Quebrei a cara, mas longe de ficar surpreso, saio desse jogo com a convicção de que o Grêmio, agora, tendo de volta o excelente Lucas, eleva sobremaneira seu nível de jogo.



    O Flu ganhou a noite
    O time da quarta-feira, além do Grêmio, foi o Fluminense, classificado às semi-finais da Copa do Brasil, vencendo o Atlético-PR na Arena. É verdade que o gol tricolor nasceria de uma sobra de bola, caída do céu.
    O mérito do tricolor, contudo, é não ter se intimidado com o ímpeto do anfitrião. E mais: foi não ter concedido ao Atlético claras chances de gol.
    Em tempo: a corrente do contra, que vive vaiando o goleiro Fernando Henrique, deve ter ido dormir mordido de culpa. O injustiçado goleiro tricolor fez três ou quatro desvios de bola simplesmente magistrais. Oram defesas capazes de equipara-lo ao rubro-negro Bruno, que vem a ser a estrela das traves, no atual futebol brasileiro.



    Os verdadeiros heróis
    O time do Flamengo morreu na praia. A verdade é que, depois do fiasco em Montevidéu, todo mundo imaginava que a travessia do buraco negro haveria de ser penosa. E como foi!
    Os dois gols de Renato, por sinal, dois bólidos fumegantes, ficam na história da partida como suspiros de consolação.
    Se mal pergunto, não seria esse o tipo do jogo pra torcida ganhar?
    O time portou-se corajosamente: fez dois a zero, ganhou o jogo. A torcida, ao que parece, é que não fez a sua parte...
    O Kleber Leite bem que podia sapecar uma multa na sua torcida.
    Gozações à parte, vamos falar sério: quem ganha jogo é quem entra em campo, é quem ensopa a camisa com o honrado suor de seu brio. Quem ganha jogo é a alma flamejante da equipe.
    Nós, que não entramos em campo, sem distinção de cores, somos testemunhas. Não temos o direito de pretender pegar carona na carruagem de fogo dos verdadeiros heróis.
    Quem não tiver essa consciência, pode acabar fazendo o melancólico papel de papagaio de pirata.

  3. 10/05/2007

    Opinião



    Baixaria, aqui, não!

    Há uma bronca no ar. É gente reclamando que discriminamos, que fazemos censura, que filtramos comentários e que só publicamos o que convém à direção do blog. Pura verdade.
    Em respeito aos leitores, aqui vai um esclarecimento: fazemos uma peneira, sim. E ai de nós se não fizéssemos!
    O leitor, cujo diálogo saudável nos ajuda a fazer este blog, ficaria chocado e, certamente, nos deixaria falando sozinhos, se cometêssemos o mau-gosto de publicar tanta barbaridade que nos chega, a todo momento, de cabeças deformadas.
    Volta e meia, nos agridem moralmente, a nós e a terceiros que sequer estão em causa. Vem de tudo nessa torrente de estupidez: surto racista, palavrões, xingamentos, calunias, difamações, enfim, uma vergonha.
    A Internet, tal como a concebemos, é um meio de comunicação como é o jornal, como é o radio, como é a tevê. Todos têm um compromisso irrecorrível com a civilidade e com o bom-gosto.
    Em nome da responsabilidade social, somos obrigados a ignorar qualquer gesto que deponha contra a dignidade humana.
    Dos mal educados queremos distância. O que fazemos, com o nosso zelo, longe de ser censura ou auto-censura, é expurgo, mesmo.

  4. 09/05/2007

    Rápidas e rasteiras





    O Maraca é dos clubes

    Uma boa pro futebol do Rio: ainda este ano, possivelmente, setembro, os clubes não pagarão mais nada pra jogar no Maracanã. A notícia é do próprio Eduardo Paes, Secretário de Turismo e Esportes do estado, com quem conversei, hoje.
    O Maracanã, diz o secretário, pode e deve ser mantido com o dinheiro das concessões de tudo que se vende dentro do estádio.
    Os clubes entram com o principal, que é o espetáculo.
    Acho muito justo.



    Nem muito obrigado...

    Ainda o Maracanã: domingo passado, no intervalo da final carioca, um pacato torcedor tomava seu refresquinho no bar do estádio. De repente, um ladrão, falando baixinho, mostra, discretamente, à vítima, um revólver escondido em baixo da camisa. Levou relógio, carteira de dinheiro e nem sequer disse muito obrigado. Além de bandido, muito mal educado.
    Quem pensa que as roletas do Maracanã são equipadas com detector de metal está redondamente enganado.



    Uma noite de horrores

    As pendengas ‘libertadoras’ de logo mais à noite: 1) São Paulo-Grêmio: tipo do jogo com gosto de pau-com-formiga. O time paulista até que tem mais bola, mas, por ser no Olímpico, manda a prudência que Muricy ponha as barbas de molho; 2) Flamengo-Defensor: mesmo sendo jogada no Rio, a parada cheira a indigesta, sobretudo, pelo passivo de 3 a 0 que o rubro-negro trouxe de Montevidéu; 3) Libertad-Paraná: sabe o que é ser um time encardido? Se não sabe, amigo, procure ver jogar hoje à noite o paraguaio Libertad, em Assunção. Além do que, o Libertad é o time dos amores de um certo Nicolas Leoz, que vem a ser o presidente vitalício da Confederação Sul-americana de Futebol.



    E não é do vestido...

    Na Copa do Brasil, tendo feito um gol fora de casa, o Atlético-PR leva um corpo luz sobre o Fluminense. Sem contar que o jogo é na Arena da Baixada, onde a equipe casa costuma se inflamar, freneticamente, até o delírio. Em tempo: como são lindas as torcedoras do AtléticoPR. Como diria o poeta: são lindas e é inútil pensar que é do vestido...




    Cavalinhos e cavalões

    Blogueiros do meu país!
    Estou bestificado. Ontem, escrevi um pequeno artigo, condenando a estupidez do calendário do futebol brasileiro. Dei-lhe o seguinte título: “Cavalinhos e Cavalões”, por sinal, inspirado em um poema de Manuel Bandeira.
    Queimei neurônios em vão. A matéria não mereceu um único e mísero toque de alguém. Ninguém leu. Está lá, ao pé da nota: Comentário: 0!
    De duas, uma: ou estão me achando um chato que ainda não descobriu a Internet ou, quem sabe, serei pura e simplesmente, um chato virtual – e temos conversado.
    Não é possível que o tema não tenha despertado nem um pio de meus leitores.

  5. 08/05/2007

    Rápidas e rasteiras




    Ser Botafogo, ser Flamengo...


    Entre minhas melhores leituras dos últimos dias, deparei com um artigo; mais que um artigo, em ensaio de fôlego filosófico, escrito pelo cineasta e escritor botafoguense João Moreira Salles. É, especificamente, sobre a figura do torcedor.
    Destaco o seguinte trecho das deliciosas reflexões do João:
    - Há pouco tempo, na saída do estádio, num dia em que vencemos ao nosso modo, desesperadamente, um homem de olhos injetados gritava: “Ninguém sofre mais do que eu!”
    Cada time tem seus usos. Ministros de Estado, capitães de indústria e generais-de-brigada fariam bem em ser um pouco Botafogo. Mais cedo do que tarde, descobririam que os planos são instáveis, que as certezas são poucas e, principalmente, que o mundo não lhes obedece. “Já o sujeito que acaba de ser abandonado pela mulher sofrerá menos se for Flamengo.”



    Luxemburgo bota banca
    Wanderley Luxemburgo deixa de lado a farpela da modéstia e avisa aos navegantes: “Depois do campeonato paulista, agora, seremos campeões da Libertadores!”



    Cabo Beltrami: sentido!
    O técnico Ney Franco efetiva no time do Flamengo, pra 5ª feira, o volante Clayton. Mérito de natureza técnica não há de ser. Afinal, a própria torcida do Flamengo não gosta do estilo de Clayton. Só pra dar uma idéia: no jogo com o Botafogo, ao entrar no segundo tempo, Clayton cometeu seis faltas seguidas, em apenas três minutos.
    Sequer, foi advertido pelo coronel Beltrami, a quem, por sinal, os botafoguenses acabam de rebaixar a uma patente bem mais modesta.
    - Cabo Beltrami! Posição de sentido!


    Quanto mais longe, melhor
    Márcio Braga não foi ao Maracanã, domingo passado. Se o cardiologista não proibiu, pelo menos, deve ter gostado que seu cliente tenha ido espairecer noutra freguesia.
    Espero que ninguém veja nesse breve registro uma ponta qualquer de reparo. Até porque não é fácil meter-se com futebol depois dos setenta.
    É aquela célebre frase de um treinador inglês, a quem se perguntou se futebol era mesmo uma questão de vida e morte:
    - De maneira nenhuma – respondeu o mister: ”É muito pior...”


    Muita bala: Culpi

    Levir Culpi deixa o Atlético Mineiro, um dia depois de sair campeão estadual. Rápido como quem voa, o homem já deve estar a caminho do Japão. Vai embolsar o nosso Levir: 1) 1 milhão de dólares pela pré-temporada de quatro meses; 2) 4 milhões de dólares pra dirigir o Cerezo Ozaka, por dois anos, repetindo experiência anterior, no mesmo clube.
    Tamanha pressa, claro, só mesmo por muita bala.


    Do Manual de Geninho

    Então, o Blog do AN informa: substituição no Atlético Mineiro: sai Levir Culpi e entra Geninho. Espera-se, naturalmente, que Geninho tenha apagado do seu manual a célebre recomendação dada, certa vez, a um jogador do Vasco que pedia uma luz sobre como marcar um rival: “Acerta o tornozelo dele...”
    A dica malévola foi devidamente gravada pela Globo.

sobre o blog

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.

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