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  1. 20/04/2007

    Rápidas e rasteiras




    Um bom divã resolve
    Pra começo de papo, considero Carlos Alberto, do Flu, um bom jogador. Quando ele apareceu, cheguei a festejar. Era a fábrica de Xerém voltando a dar o ar de sua graça.
    Infelizmente, o moço não está acontecendo como imaginei. Ainda, agora, no empate com o Bahia, anotei alguns problemas que andam afetando o seu rendimento: 1) está prendendo a bola, além da conta; 2) não faz a bola circular, como convém a um pretenso organizador de jogada; 3) está sempre induzindo o resto do time a passar a bola pra ele; 4) irrita-se com todo mundo; 5) tem jogado sempre de cara fechada, como se estivesse de mal coma humanidade.




    É hora de chorar
    Tenho visto jogar o time do Inter. O time virou um saco de gatos. Mesmo antes da recente eliminação da Libertadores, o nosso bom Colorado já vinha batendo pino. Resultado: noves fora, zero. Nem o muro paroquial do estado, nem o palco triunfal da Libertadores.
    A diretoria que sucedeu ao presidente Fernando Carvalho torrou o melhor que havia no elenco. Então, gente boa colorada: queriam o que de um time que se desfaz, numa tacada, de jogadores do peso atômico de Rafael Sobis, de Tinga, de Jorge Wagner, de Bolívar e de Fabiano Eller?
    Haja lágrimas!


    São Paulo, um exemploPois, então, tiremos o chapéu pro São Paulo. A recente jogada, contratando Dagoberto, vindo do Atlético-PR, é uma tacada de respeito. O QI da bola de Dagoberto levanta, ainda mais, o nível técnico do time do São Paulo, que já é dos melhores do país.

  2. 19/04/2007

    A redenção do drible



    Realmente empolgante a jogada do argentino Messi, contra o time espanhol do Getafe. O gol de Messi é quase um clone do gol de Maradona, contra a Inglaterra, no mundial do México, em 86.
    Vamos às coincidências: Messi domina a bola pertinho da linha central do campo. Maradona, também.
    Messi dispara na direção do gol, tocando a bola e driblando. Maradona, idem, idem. Messi acelera pela meia-direita. Maradona também.
    Messi passa por seis adversários. Maradona passou por sete. A derradeira vítima de um e de outro é o goleiro. Depois do chute mortal, Maradona cai no chão, prostrado por um atroz carrinho inglês. Messi safa-se, incólume, de uma rasteira iminente.
    O improviso de Messi dura 11 segundos, o mesmo tempo de Maradona. Mas, de passagem, vale uma observação: Maradona é mais rápido que Messi. Reparei no vídeo: Maradona pega a bola, no seu próprio campo, alguns metros atrás da linha central. Messi pega mais à frente.
    Os movimentos de ambos, na corrida, são muito parecidos, o que não chega a surpreender, tratando-se de dois notórios canhotos de berço. Se bem que Messi faz gol de pé direito e Maradona, de pé esquerdo.
    Pra lá de tantos pontos em comum, em ambas as jogadas, uma observação lisonjeira se impõe: finalmente, o futebol se redime de ter ficado tanto tempo sem nos dar o gostinho de um gol só de toques e de dribles feito. Seis de Messi, sete, de Maradona.
    O futebol de nossos dias, engessado em esquemas rígidos, só pensa em manobras coletivas. Futebol bom, pros técnicos, é futebol de passes, de centros, de bolas paradas.
    O drible já não entra em campo; quando muito, fica no banco. Na Alemanha-2006, o próprio Messi, com seu prodigioso poder de improvisação, ficou sentadinho no sereno, vendo a sua Argentina jogar um futebol de prancheta.
    Louvados sejam todos os benditos transgressores do jogo de futebol.
    Alegrai-vos Garrincha!, Julinho!, Canhoteiro!, Stanley Mathews!,Tesourinha!, Corbata!
    Cantai odes celestiais pela redenção do drible!
    Amém!


    PS: O jornal argentino Olé está em orgasmo com o gol de Messi, que o diário chama pelo apelido de 'Pulga'. Entre as galeras fanatizadas pela obra prima do atacante do Barcelona, o Olé cita sites de videos do Brasil, da Inglaterra, da Alemanha, da Itália, da Espanha e da Arábia Saudita. O Olé não citou nem Marte, nem Saturno, nem Plutão, mas é quase certo que, por lá, não se fala noutra coisa.

  3. 18/04/2007

    Era uma vez...


    Redação Sportv: a bancada do programa debate sobre o meia Roger do Corinthians. Por que Roger não é titular absoluto nos times em que joga? O problema me leva a contar uma história que aconteceu no Fluminense há muitos anos.



    Marinheiro de primeira viagem, só agora fiquei sabendo que nem todo blogueiro tem pleno acesso as matérias exibidas em forma de televisão. A turma do Blog do AN, daqui por diante, vai fazer o seguinte: sempre que quiser mostrar uma imagem vinda da tevê, terá o cuidado de repeti-la em texto fiel ao conteúdo da mensagem audiovisual.
    E o caso do vídeo acima que foi pinçado do Sportv, em que conto um ‘causo’, a propósito do jogador Roger.


    “Houve um jogador no Fluminense chamado Gonçalo. Na velha guarda, todo mundo sabe quem foi o Gonçalo. Veio do Santos. Jogava uma barbaridade, mas o técnico Tim não o escalava de jeito nenhum. Um diretor do Fluminense perguntou ao Tim:
    - Por que você não escala o Gonçalo nunca? O Gonçalo é o melhor organizador de time que nos temos aqui.
    O Tim responde:
    - Isso é verdade, mas tem uma coisa, eu só escalo o Gonçalo se o senhor me der um dinheiro especial. Toda vez que o Gonçalo for ao ataque ele pega um táxi e volta depressa pro campo do Fluminense. Porque ele vai muito bem, mas na hora de voltar, ele volta a pé, caminhando.
    O Roger é um pouco isso, coitado - digo eu Armando. Não é da natureza dele esse dinamismo, essa constância no campo. Agora, é de uma intermitência brilhante. Intermitentemente brilhante. De quando em quando faz uma jogada maravilhosa.
    Então no futebol em que há substituições, eu acho que ele tem lugar.”


  4. 18/04/2007

    Vôlei, paixão nacional


    O futebol está na ordem do dia: há decisão de título em diversos lugares. Acontece que o vôlei também anda igualmente apaixonante, tanto no feminino quanto no masculino.
    Em Florianópolis, tem Cimed contra o Minas. É pau puro. Mesmo jogando na casa do rival, não dá pra negar que o Minas é favorito. Saiu na frente nos dois primeiros jogos de um ‘play-off’ de cinco partidas.
    No feminino, são dois pra lá e dois pra cá. Agora, teremos o quinto jogo, sábado de manhã. A decisão vai ser em Niterói: quem vencer leva. Ou dá Rio de Janeiro ou dá Osasco.
    Tive acesso, há pouco, a uma pesquisa que traz as seguintes revelações: 1) setenta por cento das mulheres brasileiras preferem ver vôlei a ver futebol; 2) o público brasileiro, contando homens e mulheres, gosta mais do vôlei feminino que do masculino; 3) o brasileiro só troca o vôlei feminino pelo masculino quando é jogo de seleção; 4) a idade do amante do vôlei, no Brasil, varia entre 20 e 25 anos; 5) o vôlei leva ao ginásio mais mulher que homem: a medida é de 59 a 41 por cento.

  5. 18/04/2007

    Rápidas e rasteiras



    Caio... caiu muito bem


    O time do Sportv acaba de pegar um reforço e tanto: Caio, ex-jogador e, agora, comentarista de futebol da Radio Globo, de São Paulo. Tacada certa de Oscar Ulisses.
    No Sportv, Caio veste a camisa do Arena, do Cleber Machado. Não preciso dizer que Caio sabe das coisas
    Bom é perceber que o moço dá o seu recado, falando com clareza e num português que nada tem da notória indigência verbal da maioria dos boleiros.


    Em tempo de murici


    É impressionante como o Muricy Ramalho cospe fogo nas entrevistas que dá depois de jogo. Ele responde a qualquer pergunta, mas não refresca. A bola dele é sempre de bate pronto.
    A gente sabe perfeitamente que repórter costuma ser abusado. Uns acham que microfone é arma de fogo. Outros procedem como se entrevista fosse linchamento.
    Muricy podia perfeitamente não botar sangue quente pela boca.
    Enfim, deixa pra lá. Como gostava de dizer minha santa mãe, recorrendo a um velho provérbio (que nunca entendi):
    - Em tempo de murici, cada qual cuide de si...

sobre o blog

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.

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