A recaída de Maradona, que voltou a ser internado é um dos dramas mais penosos que o futebol já produziu entre seus grandes ídolos. Maradona, no esplendor da carreira foi um dos jogadores que mais me emocionaram. No mundial de 86, no México, quando a Argentina levantou a Copa, escrevi um poema dedicado a obra deste genial jogador. Nesse momento de orações pela saúde de Maradona, transcrevo a integra do poema citado, que por sinal encerra o livro que traz na capa a figura do anjo torto do futebol Argentino: “A Copa do Mundo é azul. Dos seis países campeões mundiais, cinco vestem tons e semitons de azul. Brasil, Uruguai, Inglaterra, Itália e Argentina. A Alemanha, exceção, usa o uniforme preto. Preto, sombra do azul. Azul, cor do universo. Visto da terra, o céu é azul. Vista do céu, a terra é azul. Azul é o mistério dos mares, o brilho das estrelas. Azul é a transparência dos cristais, o otimismo dos homens: tudo azul. Azul é o pássaro azul da felicidade Azul-celeste no céu da Copa-86. Bandeiras de festa na multidão do estádio. Medo e bravura no campo de batalha. Jogo final, juízo final. O santuário azteca celebra, agora, os novos campeões do mundo. Entre eles, amado seja o novo rei do futebol. Amar a Deus sobre todas as coisas, amar a bola entre todas as coisas, amar o passe, amar o drible, amar o gol, A. Maradona.”
Renato Gaúcho, Romário, Angélica, Federer, Eurico e Nanicos + Não pagava pule de dez: Eurico Miranda fuzila Renato Gaúcho, justamente depois de uma partida em que Botafogo e Vasco foram igualmente épicos. Fica evidente que o Vasco chapa branca preferiu Romário. Renato representa o futuro do futebol; Romário representa o passado. Eurico não enxerga um palmo adiante do nariz. Pergunta aos profetas da internet: pra onde vai o Renato Gaúcho: Fluminense ou Corinthians? + Minha velha paixão por aviação foi descoberta pela apresentadora Angélica, da Globo. No meio da semana, Angélica foi visitar o clube CEU, de aviação esportiva, e deu uma de controladora de vôo. Enquanto eu sobrevoava o Projac com meu “Marques de Xapuri”, ela na torre de controle orientava o meu vôo. Um barato. + Os pequenos são cada vez menos pequenos: dois nanicos nas semi-finais de São Paulo, dois nanicos nas semi-finais do Rio. Pergunta da produção do Blog: o futebol está nivelando de baixo pra cima ou de cima pra baixo? Resposta no Bate-pronto do Blog. +A Suíça fez um selo com a figura Roger Federer. Enfim, alguém se lembra que Federer, filho da terra, é o ídolo número um do tênis mundial. Estive na Suíça, a trabalho. Passei 20 dias lá e uma coisa me causou estranheza: a indiferença glacial com que o povo suíço trata seu filho ilustre. Ele anda na rua, ignorado como um João ninguém recém-chegado da Patagônia.
Longa e penosa é a convalescença de um herói. Em entrevista que acaba de ar a um repórter da revista Tennis Magazine, de Paris, Guga acena com a tímida esperança de reencontrar Roland Garros, doce reinado, em cuja quadra conquistou três vezes o célebre torneio da França: 97, 2000 e 2001. O Aberto de Paris forma a lendária irmandade do Gran Slam, ao lado de Wimbledon, do Aberto da Austrália e do Aberto de Nova York. Lembro-me bem. Era domingo, dia 29 de maio. Um imenso balcão de flores circunda a quadra central. São as rosas da primavera dando boas vindas de Paris ao ‘grand monde’ do tênis mundial. De um lado, o bicampeão de Roland Garros Sergi Bruguera (93/94). Um tenista da implacável escola espanhola da Catalunha. Do outro lado, um desconhecido, de quem, quando muito, se ouvira dizer que vinha de três triunfos contra três pesos-pesados do tênis de elite: o russo Medvedev, o austríaco Thomas Muster e o também russo Kafelnikov. Foi, então, no périplo de quadras secundárias que comecei a conhecer Guga. Vi as três promissoras vitórias, graças a um aceno que recebi do técnico Paulo Cleto. Eu estava vendo o jogo na quadra central, quando Cleto me chama: - Vem ver um garoto brasileiro que pode fazer furor este ano. Depois de estar apanhando de dois sets a zero, Guga virou o jogo e foi acabar derrotando Medvedev no quinto. Passei a seguir Guga, com esperanças que se renovavam a cada partida, até o ponto da consagração, na empolgante série de três ‘sets’ a zero: 6-3, 6-4, 6-2. No mesmo torneio, Guga tinha ganho de dois mitos de Roland Garros; o poderoso Muster e o próprio Bruguera, ambos em plena forma. Este ano, Guga volta a Roland Garros. Mas, como está dito na primeira linha desta nota, a essa altura, o nosso principal tenista volta na frágil condição de um convalescente. Vale a constatação de que, em Roland Garros, Guga será sempre louvado. Herói de ontem, herói de sempre.
O Pan está entrando na reta de chegada! Com essa imagem, que tem tudo a ver com os jogos Pan-americanos eu também chego a você, caro Internauta. Chego com o meu Blog. A hora é essa. Aos amigos que ainda não me conhecem, peço licença pra me apresentar: venho de outras freguesias. Escrevo em jornal, sempre trabalhei no rádio esportivo, participo de mesas redondas de tevê e tenho um programa chamado Papo com Armando Nogueira, que há dez anos aparece no SporTV. Aqui, darei opiniões, tanto minhas quanto de terceiros que mereçam acolhida. Não pretendo que venha de mim a última palavra sobre qualquer assunto do nosso comum interesse. Prefiro ser porta-voz de versões a ser o dono da verdade. Buscarei, sempre, novos caminhos, sem, contudo, ignorar experiências arduamente vividas, seja por mim, seja por tanta gente que já vem de outros carnavais, trazendo na própria carne a marca de valiosas lições que só o esporte, com seus caprichos, é capaz de ensinar. Amigo intrernauta, sem confetes: o meu Blog é seu também. Use, mas não abuse.
Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.