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  1. 17/07/2007

    Comunicado importante


    Amigos internautas,

    O blog do Armando Nogueira voltará a ser atualizado a partir de agosto.

    abraços.

  2. 13/07/2007

    Recordar pra viver


    O blog do Armando Nogueira estará atento aos Jogos Pan-americanos - 2007. É evidente que não pretendemos disputar com os co-irmãos em matéria de extrema atualidade. Não é esse o nosso compromisso. Queremos oferecer aos amigos internautas outras vertentes de jornalismo, como opinião, análises, comentários, além de um pouco de história.
    E é em nome da história que usaremos o melhor de nosso espaço pra relembrar episódios de realce de que fomos testemunhas, nos Jogos Olímpicos (ao todo, sete) que tivemos o privilégio do cobrir, na condição de jornalista.
    Os textos que serão transcritos figuram nos dois livros que escrevi sobre a aventura olímpica: “A Chama que não se apaga” e “O canto dos meus amores”.

    “A mulher está em todas”
    “As mulheres estão aí, aos milhares, correndo, saltando, encestando, atirando, cortando, nadando, mergulhando, remando, sacando, chorando, sorrindo, suando - enfim, vivendo olimpicamente. E lembrar que, no recomeço dos Jogos, em 1896, elas foram, sumariamente, barradas! E dizer que, no princípio do século, elas continuaram proibidas, só tendo tido a primeira chance na Olimpíada de Estocolmo, em 1912, quando foram autorizadas a participar da natação.
    A oposição à mulher nos Jogos Olímpicos vinha de estúpidos preconceitos moralistas, reforçados pela própria ciência. Na cabeça dos doutores, a prática do esporte era um risco para a saúde da mulher. Até às vésperas dos Jogos de Los Angeles, em 1984, não havia maratona feminina porque a medicina esportiva sustentava que a mulher não tinha resistência cardio-pulmonar para correr 40 quilômetros. A americana Joan Benoit acabou de vez com o tabu: concluiu a maratona de Los Angeles com a volta olímpica no estádio, dando de quebra à multidão um sorriso triunfal; o mesmo sorriso que a tevê mostrou ao mundo, anteontem, no rosto de Valentina Yuogorova, medalha de ouro na maratona 92.” ("A chama que não se apaga.")

  3. 12/07/2007

    Seja o que Deus quiser!


    Ai estão os dois finalistas da Copa América: Brasil e Argentina. Pelo quase nada que jogou, a seleção brasileira acaba no lucro. Bola por bola, quem devia estar dividindo o topo com a Argentina era a equipe do México, que, além de ter ganho do Brasil, jogou bem e bonito a Copa inteira, até mesmo, quando derrotada pela Argentina, 3 a 0, na semifinal.
    A final, domingo, seria, sem dúvida, pró Argentina, que encheu os olhos de quem a viu jogar a Copa América. Sucede, porém, que, no futebol, nem sempre vence o melhor. Na hora da verdade, entram em cena variáveis de toda natureza. Algumas bem objetivas e outras tantas pra lá de subjetivas. É justamente por isso que ninguém ousa apontar ninguém como provável vencedor em qualquer final.
    Mesmo assim, na bolsa de apostas de Londres, a seleção argentina de Messi e Riquelme não rende os trocados de um café expresso. Já o Brasil, que na mesma bolsa pagaria nada vezes nada, de repente, surpreende e faz o resultado inesperado.
    Verdade seja dita: a seleção do Brasil é, em si, fracota, mesmo. Não se monta, impunemente, uma equipe de elite sem dois jogadores da estirpe de Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Um, é clarividência, o outro, improvisação.
    Os dois refugaram a seleção e deixaram o Dunga chupando o dedo. Por sua vez, o critério de convocação do treinador me pareceu equivocado. Apostou em goleiros nos quais ninguém apostaria. A escolha de laterais suscitou discussões. E o que me parece mais sério: a formação da equipe indicava, de cara, a preferência de Dunga por uma filosofia de jogo que nada tem a ver com o estilo brasileiro de jogar futebol.
    Desde logo, ficou muito claro pra todo mundo que o projeto de Dunga inspira-se na equipe campeã de 94, da qual foi capitão e símbolo. E assim que ele gosta de ver jogar o Brasil. Sem correr o mínimo de risco. Pouco importa que o padrão seja pobre, feio, sem graça.
    É nisso que Dunga aposta, domingo contra a Argentina. E seja o que Deus quiser!

  4. 11/07/2007

    Entre prosa e poesia



    Enquête britânica escolheu a seleção brasileira de 70 como a de futebol mais perfeito, na história dos mundiais. A preferência não me surpreende. Vi o que fez, no México, aquela magistral equipe. Era, de fato, um exemplo de harmonia, principalmente, quando atacava em bloco. Revoadas da primavera.
    Era de encher de arco-íris os olhos do estádio. A bola, um tanto angustiada que provinha da defesa, nem sempre consistente, transfigurava-se quando encontrava no seu caminho a clarividência de Gérson e Clodoaldo.
    A partir do grande círculo, inaugurava-se um recital de poesia. Um coral de que participavam Pelé, Tostão, Rivelino, o próprio Gerson e Jairzinho.
    Como disse, os ingleses dão uma demonstração de bom gosto, ao celebrar a equipe de 70. Pena que não tenham visto jogar a seleção brasileira de 58, campeã mundial nos campos da Suécia.
    Como pretendo desafiar a Física, destinando a dois corpos o mesmo lugar no espaço, permito-me ceder precedência a equipe de 58. Se 70, em perfeição, era prosa-poética, 58, chegaria ao requinte de ser poesia pura, repartida entre dois portentos: Pelé e Garrincha.

  5. 09/07/2007

    De prima


    Quem tem dó de Dodô?
    Uma coisa parece fora de questão: Dodô não faz o tipo guerreiro. Ao contrário do trombador que esbanja energia, ele pertence, justamente, àquela nobreza do futebol que dispensa a força física pra impor sua categoria, no corpo-a-corpo da grande área. Dodô é um clássico. Tudo leva a crer que, nessa história do doping, ele tenha sido mais vítima que vilão.
    Inocentá-lo, de todo, porém, talvez não seja nada fácil. Se a urina dele acusa uma substância proibida, a primeira conclusão é que Dodô procedeu com rara imprudência. Me lembro do caso de Athirson, que, também, caiu na malha fina do anti-doping, em circunstâncias parecidas. Athirson, querendo emagrecer, acabou tomando uma droga da lista negra dos remédios dopantes.
    É verdade que o processo de Athirson teve um final feliz. Ele foi absolvido, certamente, pela presunção de boa fé. Sucede que o momento de um nada tem a ver com o momento do outro. O Flamengo de Athirson navegava em águas tranqüilas.
    Dodô é o jogador símbolo de um time que está no olho do furacão. O craque não podia ter dado a cara a tapa.
    Guerra é guerra.

    A estrela Vênus
    Roger Federer voltou a fazer história em Wimbledon? Sem dúvida alguma. Mas, não há como ignorar o tênis da fábula que voltou a jogar em Londres a norte-americana Vênus Williams, mais uma vez campeã na grama de Wimbledon. A moça jogou sete partidas, todas no mais alto nível de excelência.
    O traje branco do ritual britânico vestia lindamente o negro reluzente de seu perfil longilineo, delgado.
    Wimbledon reverencia o entardecer da estrela Vênus.



    O bem-me-quer do futebol
    Quem vence a Copa América? O futebol nunca deixou de ser um jogo de impermanencias. De repente, espera-se o óbvio e sobrevém o insólito. Pra mim, o campeão dos meus sonhos há de ser, não o time que venceu por vencer, mas o que melhor jogou.
    Até agora, quem mais me encantou, como equipe, foi a Argentina, ouro branco, com Messi, Tevez, Veron e, principalmente Riquelme, o bem-me-quer do futebol-arte.



    O basquete a vida
    Vejo no Sportv uma bela chamada sobre basquetebol. Relembra o título Pan-americano que o Brasil conquistou em Winnipeg e Santo Domingo. Tomara que o Brasil chegue, agora, ao tri do Pan. Adoro basquete, esporte sobre o qual, uma dia, me ocorreu a seguinte pensata: “basquete é um exemplo de como bem lidar com essa impiedosa substância chamada tempo. E uma das raras manifestações de vida em que menos se sente a celeridade do tempo. Uma lição que o futebol não quis aprender. O futebol é um refinado perdulário. Esperdiça tempo como o estróina esperdiça dinheiro. No basquete, um minuto dura uma eternidade. Por quê? Porque se a bola pára, pára também o cronômetro. Bendita angústia do não-tempo. Feita a cesta, o cronômetro só recomeça a andar quando a bola chega às mãos do segundo jogador.
    Bem que a vida podia imitar o basquete. Só valeria o tempo intensamente vivido. Na ação ou na contemplação. O tempo consumido no sono e na melancolia não devia ser contado. Eu estaria, hoje, na flor da idade...”

sobre o blog

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre. Começou sua carreira jornalística em 1950. Já cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Jogos Olímpicos. Escreveu 10 livros sobre esporte.

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